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B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

06.10.20

Vê como brinco ao abismo.


Vorph "ги́ря" Valknut

 

Num dia desvalido julguei achar-me numa pedra,

de uma Fraga frestada, esquecida. 

Tentei aninhá-la comigo,

trazê-la fechada, num saco, (exalou quando lhe toquei), com o resto de alguma comida.

Enrolada, então, no papel de prata de umas bolachas, os restos escondi-os num lenço amarelo-assoado.

Fria como morta.

E tu, meu eu? 

Que diferença haveria?

Quantos dias sumidos, somados em anos cada vez menores,

de uma perseverança inútil, numa esperança fútil.

Sangrada a vergonha, jogando-me ao peito,

Como de uma escarpa,

dentro dumas águas negras e baptismais,

sem ninguém. Só.

Pesadamente, só.

Olho-me, numa poça, como de longe, afogando-me o pensamento no absurdo,

nas vontades fétidas de uma criança inchada.

Um gelo infernal desponta,

ao ter a certeza de no vivido achar este futuro de hoje,

como coerência de fantasia.

Nascido sem aprovação, num amor fora de jogo,

fui embalado na sarjeta,

tendo visto numa garrafa vazia o reflexo partido de uma mãe

e num enorme rato preto, um pai.

Tantos sonhos tragados, tanto tempo estragado.

Delirado pelas sezões ganhas do desencontro,

julguei possível a esperança de um outro, meio de mim.

Verme ou bicho, não importa.

Mais tarde, na estrondosa e clara derrota

fui obrigado ao vislumbre de uma exótica vitória,

mantendo-me acordado numa qualquer estranha razão,

nessa doentia curiosidade,

por um final sabido e inicial.

Bizarro indulto,

Criado num género de óbito,

numa vida desculpada.

A um género de doença me apeguei.

Fincado (as causas perdidas, as minhas favoritas) nos desassossegos,

Calcei num casaco sem força a alma extinta.

E no Sol pus feitiço (que sabes tu da vida, que sabe a gelo?),

na Lua, um tipo de oração.

"Vim ter contigo, quero-te feliz"

"Desaparece. Vê como brinco ao abismo".

Quem fez esta vida, esta comédia isolada?

(O coração da noite enche-me de sangue as veias e as nuvens umbrosas dão-me o meu manto).

Publicado, originalmente, aqui.