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B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

26.04.20

Por ignorância fizemo-lo crescer e por medo, matámo-lo.


Vorph "Girevoy" Valknut

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Curiosamente nunca tive necessidade de deus. Quer dizer, talvez a partir dos meus 13 anos deixei de a ter. Apenas por uma singela razão e não por causa de mortais e esquisitos pensamentos. E essa razão resumia-se ao seu Silêncio. Cruel, sacana.

A partir daí andei para a frente sem necessidade de um deus que me aparasse os golpes. A vida comecei a vê-la como ela é*(1). E as religiões como rebuçados que adoçam a vida amarga*(2). Umas inventadas, outras não, as vidas e as misérias. A maioria das religiões são semelhantes a contratos comerciais, em que o patrão promete ao empregado, sob coacção, que caso o trabalho seja bem feito terá um aumento, um benefício, no final do turno. Caso "não entregue" espera-o a tortura eterna.
Já li a Bíblia, a traduzida por Frederico Lourenço, e não as traduzidas por escolásticos ou outros sócios gerentes. É hedionda, cruel. deus Pai, manda matar crianças, mulheres inocentes, e por fim o seu filho (um Essénio alucinado). Manda arrasar comunidades inteiras, em seu nome e no nome do seu amor . São cometidos assassínios em massa sobre populações cujo único "pecado" era terem outros deuses, que não esse, de múltiplas personalidades, ora chamado Jave, El, Elohim, ou Jeová (estranho como numa religião monoteísta deus mude de nome tantas vezes. Quem sabe se com o propósito de esconder o que mandou fazer) E até chega a apostar com Satanás, por capricho, e nada mais, a vida de um fiel devoto, matando-lhe mulher e filhos. Porventura por causa disso, durante centenas de anos a Bíblia foi obra proibida. Não por causa de um conhecimento potente que permitisse ligação directa ao grande Arquitecto. Mas com a intenção de se esconderem todas as loucas maldades que por lá se lêem.
Não necessito de deus para encontrar o caminho ou levantar-me do chão. Basta-me uns poucos amigos, mortais e não imaginários, a minha família, um passeio pelas montanhas, uma contemplação do firmamento, uma música, um silêncio. Perante a Maldade, gratuita, do mundo, o sadismo, a saldo, do Homem, são-me esquisitas, deixam-me reticente os devotos de um deus que sendo omnisciente, omnipotente, omnipresente nunca se mostra, nunca se queixa, deixa andar. Deus morreu. Deus fede.

Libelo da minha autoria. 

*(1)

https://youtu.be/vqTJMOqn5LU

*(2)

"Come chocolates, pequena;

Come chocolates!

Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.

Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.

Come, pequena suja, come!"

Excerto da "Tabacaria" , do Nandinho. 

 

Obrigado à Cristina Torrão

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"Pela vida encontrei sempre quem me dissesse: isso não chega. Quando falava da sorte do aconchego de um edredão macio e quente, do apreço pelas boas palavras e gestos gentis, do canto dos pássaros, havia sempre quem me dissesse: isso não chega. É hora de dizer aos bons amigos que vivem sôfregos à procura de reconhecimento, de um sentido na vida ou o diabo que o valha, que um pássaro que nos segue saltitante durante duzentos ou trezentos metros, sem pedir nada em troca, vale mais do que qualquer reconhecimento ou sentido da vida. Ainda que não percebamos muito bem porquê. E isso chega."

 

Texto da autoria de Isabel

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