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B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

05.03.20

O Poeta das alturas, o Pensador das cumeadas.


Vorph "ги́ря" Valknut

Uma filosofia que se aprende não pensando.

Descobri, a sério, Nietzsche em 1995, numa loja, de comes e bebes, em Alcântara. À saída rodei, ao acaso, uma ilha onde estavam expostos alguns livros. Fiquei de frente para um. Na capa, uma montanha e um céu, vermelho, de tormenta. Tinha como título, "Assim Falou Zaratustra". Tirei-o, olhando a contracapa. Havia, nela, uma breve resenha biográfica. Tendo morrido louco pensei, de imediato, que tinha vivido sabiamente. Li-o, reli-o, rabiscando as margens, sublinhando a diferentes cores, em diferentes alturas.

Anos mais tarde, fui à apresentação de um Ensaio, sobre o "herético" escritor alemão, que me formou, como numa bigorna. O autor era, julgo, jornalista, e espanhol. Repetia a jeremiada, requentada, de ser a filosofia nietzschiana um suporte intelectual, ideológico, do racismo, sobretudo do nazismo. Indignado, levantei-me, dizendo pior, como é meu hábito, o que tinha pensado. "Que não era verdade!! Que Nietzsche era anti-nacionalista, mais, que Nietzsche era anti-alemão (anti-prussiano, como ele mesmo escreveu)!! Um europeísta, isso sim". Mas, sobretudo, um filósofo que punha em causa a "verdade científica" da moral cristã. Uma moral que Nietzsche interpretou como um instrumento, político, ao serviço do Poder burguês. Nietzsche matou "deus", mas não o fez sozinho. A revolução científica do século XIX, deu-lhe a baioneta ensanguentada. Porém, Nietzsche não conseguiu reconstruir, sobre os escombros, um novo e coerente sistema de ideias, sempre mais fascinado com o Martelo, do que com a Régua. A sua filosofia era, portanto, uma "Filosofia de Martelo". Nietzsche escreveu, maioritariamente, em aforismos, em curtas sentenças, dando azo a inúmeras interpretações, fazendo, curiosamente, lembrar as alegorias de cristo, seu inimigo figadal (a filosofia de jesus era, para o filósofo alemão, uma filosofia cobarde, adequada, apenas, aos medíocres, aos "escravos", ao "Homem de Rebanho"). Ironicamente, no final da sua vida, Nietzsche assinava as suas cartas, os seus últimos e desgarrados escritos, como "O Crucificado". Para o poeta alemão, o Homem, quando conhecedor de si mesmo, enforcar-se-ia na corda do seu próprio pensamento. E nisto, julgo achar muita verdade. O melhor é mesmo não pensar, ou pensar pouco sobre(tudo) . 

"Now —

Alone with yourself,

Paired in your own knowledge,

Amid a hundred reflections

Before your false self,

Amid a hundred dubious

Memories,

Weary from every hurt,

Chilled by every frost,

Strangled by your own rope,

Self-knower!

Self-hangman!" 

 

Livro recomendado :

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