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B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

05.08.20

Comportamento Humano (4)


Vorph "ги́ря" Valknut

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Preâmbulo. 

Neurotransmissor - substância química produzida no cérebro, em resposta a determinados estímulos, com efeitos, na maioria dos casos, no comportamento humano. 

Sistema Dopaminérgico 

1. Dopamina. 

Antes de desenvolver a função da Dopamina, referir que o que nos "sabe" bem não resulta directamente das qualidades das "coisas", mas sim das alterações que essas mesmas coisas provocam no nosso organismo. Assim gostamos do chocolate e de comer iguarias porque a sua ingestão aumenta os nossos níveis de Dopamina, um neurotransmissor responsável pela sensação de bem estar (de uma forma simples, mas não simplista, se bloquearmos as zonas cerebrais onde a Dopamina actua ou é produzida, deixamos de gostar daquilo que apreciamos). Consequentemente, e indo um pouco mais longe, gostamos de fazer sexo porque o orgasmo aumenta os níveis de Vasopressina (um peptido, semelhante à Oxitocina, responsável por uma sensação de prazer), de Oxitocina (ver Vasopressina) da Dopamina, além de desligar a maldita da Amígdala cerebral. O mesmo sucede com a cocaína, o álcool, a heroína, ou ouvir, apenas, uma música que gostamos (quanto maior for a estimulação do Accumbens - ver abaixo - , durante uma audição musical, maior são as probabilidades do ouvinte comprar o CD dessa mesma música). A Dopamina é produzida numa parte do nosso cérebro denominada Área Tegmentar Ventral, com ligações directas a outras partes do encéfalo, uma delas responsável pelo sentimento de Empatia (lesões nesta área diminuem o sentimento de empatia nos afectados) denominado, Núcleo Accumbens. Entre os vários factores que podem lesionar as áreas produtoras de Dopamina contam-se o Stress Crónico (o factor mais nocivo para o Sistema Nervoso Central) e a Depressão, caracterizada pela Anedonia (incapacidade para sentir prazer).

Porém, quando o Sistema Dopaminérgico surgiu, há milhares de milhões de anos, os estímulos prazenteiros, assim como a intensidade desses mesmos estímulos, eram bastante menores daqueles que existem actualmente. Temos hoje, ao nosso dispor, toda uma panóplia de factores que nos sobrecargam de prazeres (uns criados pela cultura - ex: drogas recreativas, legais ou não, que libertam espasmos de Dopamina, em quantidades desconhecidas no mundo primevo, outros naturais, como por exemplo, o acesso fácil a saborosos e requintados manjares - sobretudo aqueles ricos em açúcares e lipidos/gordura, porque o nosso organismo, em virtude da sua importância, em termos calóricos/energia, "faz" que gostemos daqueles, não dependendo, portanto, o "nosso" gosto da nossa vontade). Em consequência surgem os problemas de adição e habituação, que de uma forma simplificada resultam de uma sobrestimulação das Vias Dopaminérgicas. Esta sobrestimulaçao tem um efeito negativo, pois ao experimentarmos cronicamente prazeres, o nosso organismo vai-se habituando aos níveis elevados de Dopamina, ou seja para um mesmo prazer necessitamos de estímulos crescentemente maiores ou/e mais frequentes. Chama-se a tal processo, Dessensibilização (ex: a Diabetes pode resultar quer de uma escassa produção de insulina, quer de uma perda da afinidade dos locais onde a Insulina actua, em resposta à sua circulação em excesso - ... ok, vou tentar não complexificar mais). Assim :

"Nada é tão bom quanto a primeira vez" 

Eis como as dependências surgem. Precisamos de mais e mais para sentirmos o mesmo prazer. De referir que para as dependências é também importante um fraco controlo do Córtex Pré Frontal sobre a Zona Tegmentar e o Accumbens (ex: uma infância traumática, ou uma gestação stressante) . 

Finalmente, para terminar a primeira parte, deste capítulo "complicado", refiro que os investigadores concluíram que para situações previsíveis (fazer o trabalho A conduz ao resultado B, sendo B a concretização do nosso prazer) a expectativa, ou seja, o tempo que vai de A a B, está associada a níveis de Dopamina semelhantes à obtenção de B (do objecto desejado). 

(continua) 

 

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