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Blogue de Alterne

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Setembro 25, 2019

Vorph Valknut

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Nos últimos séculos, a maioria dos humanos, tem-se concentrado num tipo específico de habitat, as cidades, constitutivas de um ecossistema, por assim dizer, desligado do mundo natural (90% da população mundial vive, hoje, num raio de 160km da costa marítima). Este cisma reforçou-se, posteriormente, com o surgimento e instrumentalização do conhecimento científico. Um Saber que visou, algum tempo após a sua descoberta, a manipulação, o domínio do mundo exterior, seguindo, comummente, desejos voláteis, critérios inaturais, destrutivos, que não conduziram, quer a uma melhor compreensão do lugar que ocupamos na Terra, quer a uma melhor integração no mundo natural.

Simultaneamente os tais ecossistemas artificiais, criaturas do Homem, têm mudado a natureza do seu próprio criador, através de novas pressões selectivas, estrangeiras ao mundo natural, provenientes dessa nossa rica e complexa imaginação (no início a obra nascia do sonho. Hoje, do sono acordado).

A Evolução do Homem persiste, nada a deterá, embora, como disse, sob novos critérios selectivos, desligados da original Selecção Natural, que fluem sobre vagas em voga, nas vontades à tona de marés baixas, fragilizantes da condição, identidade e consciência humanas, porque desconectadas do mundo de fora, desse mundo, nascido há 4,5 biliões de anos, real e concreto.

Imaginamos, consequentemente, cada vez mais o que vemos.
Como resultado deste novo (des) conhecimento, desta nova Selecção, eis-nos perante um Homem Novo, desenhado às escuras, à revelia, do Ser natural, tomando como real, necessidades virtuais, misturando o que é com o que imagina ser , ou com o que gostava que fosse.

A civilização, a ciência têm inequivocamente diminuído a dependência do Homem, da Selecção Natural, tendo, por outro lado, incontestavelmente, aumentado, sobre ele, a Pressão Selectiva Artificial /Cultural /Ideológica. Considerando que as instituições culturais são, na maioria das vezes, invenções, representações inexactas do natural, quando não tentativas de fuga sem direcção de uma realidade sem sentido, a cultura moderna leva-nos a um labirinto existencial, teleológico e ontológico (atente-se no movimento transgénero, por exemplo) porque, conseguindo convencer-nos sobre o que não somos, não consegue explicar-nos quem somos.

Julgo haver aqui motivo para várias questões:

Em termos de contribuição para o fortalecimento da nossa capacidade adaptativa, será melhor a pressão crua da verdade (a da Selecção Natural), ou aquela delirante, anestesiante, quando não grotesca, da Selecção Artificial? A resposta surge-me evidente.

Nessa fuga existencial, do natural, para o artificial, criámos novas mitologias, para que mais fácil nos fosse crer na fantasia inventada, tornando mais verosímil a mentira contada.
Tristemente, passámos a acreditar mais no que sabemos não ser, compreendendo cada vez menos,  porque julgando cada vez mais.

Ouçamos o admirável homem, desse mundo novo, onde as pressões selectivas deram lugar às  depressões colectivas:

"Nunca sentiu o bolso vibrar, como se tivesse recebido uma chamada ou uma mensagem, para depois descobrir que era um falso alarme? Os especialistas chamam-lhe nomofobia, o medo de ficar sem telemóvel. Quase metade dos utilizadores admitem que já não conseguem imaginar uma vida sem ele".

A alegria de hoje, é um exorcismo de choro.

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