Em Julho, numa Unidade Hospitalar da Região Sul, escrevi:
Aguardando numa Unidade de Saúde do SNS. Ao meu lado um cidadão, um português, dos seus quarenta e picos que, desde as 9 horas (são agora 13h), espera pela realização de uma endoscopia marcada há 1 ano. Medicamente não faz sentido. Humanamente é um atentado. É isto o SNS. É disto que as Esquerdas se orgulham. A culpa, segundo a cartilha ideológica, será do Privado.
Afirmar-se que existem portugueses racistas é uma coisa. Dizer que Portugal é um país estruturalmente racista, ou seja, cuja existência, viabilidade económica, é dependente de práticas políticas e sociais racistas é absurdo. Portugal não é o Sul dos Estados Unidos. Portugal não é a África do Sul do apartheid. Portugal não é a Alemanha ou a Hungria. Portugal não é a Índia, com o seu sistema de castas, ou a China, onde os uigures são perseguidos e marginalizados pela etnia, dominante, Han. Os Partidos de Extrema Direita devem ser permitidos, como o são os da Extrema Esquerda, cujos jornais oficiais fazem rasgados e monstruosos elogios ao genocida Estaline, afirmando que os milhões de ucranianos assassinados pelo georgiano homem de ferro são uma invenção imperialista. Considerando, pessoalmente, Ventura um patego, vejo muita hipocrisia nos que se indignam contra o discurso dos "fascistas" de Direita, que é, em muito, parecido com as orações dos extremistas de Esquerda. Uns perseguem "ciganos", outros porcos, sub-humanos, capitalistas. Uns com asteio da Comunicação Social, outros acossados por ela. Basta, mas não Chega!!
Segundo li, ouvi, por alto, corre uma petição censória contra os partidos de Extrema Direita. Discordo, veementemente. Os Partidos, as Ideologias, devem ser derrotadas, dentro da lei, através das urnas. Cabe, assim, aos outros Partidos derrotarem a Extrema, exclusivamente, pelas suas propostas políticas.
E já agora, nem uma palavrinha sobre a Extrema Esquerda, normalizada? Sobre os bandalhos que fazem de Estaline primeiras páginas?
Na notícia nem uma referência ao facto da vítima ter sido um branco e o assassino um preto. Nem uma alusão, nem uma menção, à hipótese do assassinato ter tido motivos racistas. Desconfio, sem certeza, que caso a vítima fosse a mais escura, as palavras usadas dessem a entender, sem testemunho, coisa bem diferente.
Para quem, como eu, faz trail running muito esporadicamente recomendo estas sapatilhas. Excelente relação qualidade/preço e um bom amortecimento da passada.
Esta história é inspirada em factos reais. Nela se misturam factos reais e fictícios navegando à ondulação da minha imaginação, de uma maneira que desejo seja agradável.
E se, ... os factos concordassem?
Atentamente,
Acutilante.
"Ó mãe, sinto que estás a chorar"
Por finais de Agosto do ano de 1964, Angola, hoje país soberano, debatia-se numa guerra cruel e sanguinária onde amigos matavam amigos, irmãos matavam irmãos em prol de uma independência que o Governo português não reconhecia o direito, e afirmava que tudo não passava de um golpe comunista e o que verdadeiramente interessava ao povo angolano era viver em paz e sossego.
Na zona de "Os Dembos," região onde a guerra se mantinha particularmente acesa, como de resto se manteria durante os catorze anos que ela perdurara, após uma comissão de três anos de guerra efectiva sobre o terreno, eu aguardava ansiosamente o meu substituto.
Quando isso acontecesse, eu, o feliz substituído, metê-lo-ia ao corrente do essencial, que valha a verdade não me ocuparia grande tempo já que a função principal, e única, tanto a ele como a todos fora devidamente inculcada e treinada: disparar com pontaria e matar com eficiência.
Dois meses depois de uma exasperante espera, finalmente ele chegou numa manhã de Quinta-feira desse mês. E desde o primeiro momento em que nos conhecemos, uma singular simpatia mútua foi reconhecida como se uma estranha afinidade desde sempre nos aproximasse.
Era um rapaz alto, de porte atlético, cabelo castanho rebelde e todo puxado para a frente, olhos castanhos onde uma profunda sinceridade transparecia. Na boca rasgada e de lábios grossos, um sorriso franco e aberto convidava à abertura de qualquer carácter mais exigente.
No outro dia eu ocuparia o seu lugar na coluna militar que de véspera trazendo-o a ele, me levaria a mim para longe da guerra. RISB, Regimento de Infantaria de Sá da Bandeira, Huíla, onde aguardaria a desmobilização do exército português, e ele ocuparia o meu lugar ao lado do condutor auto do “Unimog” e faria o que eu fizera centenas de vezes nesses três anos. Uma patrulha pelas imediações da zona.
Despedimo-nos com um abraço e prometemos corresponder-nos. Ele subiu para a cabine do “Unimog” e eu aprestei-me a juntar os meus parcos pertences, para seguidamente tomar o meu lugar na coluna que apenas esperava por mim para se meter à picada.
Subitamente uma grande agitação se manifestou à porta de armas. Não deveria surpreender-me, tal ocorrência era frequente, mas uma inexplicável angústia levou-me a deixar tudo o que fazia e correr para lá. A patrulha sofrera um ataque e o meu substituto morrera.
Antes de se aclararem devidamente os factos, frases soltas e misturadas; confusas pela ânsia de explicação, fizeram-me compreender o sucedido. Não fora um ataque premeditado, uma emboscada planeada, nada. Simplesmente alguém que se encontrava dentro do mato, à passagem da patrulha resolvera mandar um disparo para lá, que por desgraçado destino com que por vezes sem que se compreenda ou se saiba porquê a má sorte nos faz graça, o projéctil entrando pela janela da viatura e passando pela frente do condutor auto foi encontrar o peito do desventurado rapaz. Entrando-lhe pela parte esquerda do peito, saiu pelo direito depois de lhe destroçar os pulmões.
Antes do corpo médico chegar já eu correra para ele, e de olhos toldados e com imensa pena, segurei-lhe nas minhas mãos a cabeça pendente.
Os olhos abriram-se diante dos meus e distingui-lhes uma inexplicável esperança como a quem só a minha presença alentasse. Tentou falar, mas os débeis sons misturados com o sangue que pela boca livremente jorrava, eram ininteligíveis.
Levei o ouvido à boca ensanguentada, e ouvi-lhe as palavras entrecortadas pelo fluxo:
- Diz-lhe que sempre a amei. Deus! Levo-a no coração.
Gostei do conforto e da leveza, se bem que o percurso não fosse, tecnicamente, muito exigente. Contudo foram 35 km de caminhos pela costa, pela serra e alguns urbanos. Além disso são lindas! Nota :****(4/5)