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B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

30.06.20

Mudemos os Símbolos de Poder e mudaremos as dinâmicas sociais.


Vorph "Girevoy" Valknut

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Segundo Hobbes, toda a acção humana individual visa, em última análise, o Reconhecimento por parte da Comunidade na qual o individuo se insere. Este Reconhecimento tem como objectivo a ascensão na pirâmide de Poder e portanto, segundo a Biologia Evolutiva, num acesso privilegiado aos meios de subsistência, traduzido num aumento das probabilidades de sobrevivência pessoal e da correspondente descendência.

Concordo. Porém discordo que os Símbolos de Reconhecimento dependam ou se limitem ao dinheiro, às riquezas, ao Material. Os Símbolos podem variar, porque estes são e serão sempre subjectivos, dependentes do "valor" que a Comunidade lhes der (dinheiro, jóias, estátuas, ou outras solenidades, não têm um valor per si). Como disse, concordando que a competição interpessoal e intergrupal pelo reconhecimento é-nos inata, discordo que a única forma possível de o ater é pela "moeda", pelas pratas. Mudemos os Símbolos de Poder e mudaremos as dinâmicas sociais a eles subordinados. Nunca nos esqueçamos. O bicho Homem habitua-se, adestra-se a tudo.

30.06.20

O Estado como um Organismo Biológico Complexo


Vorph "Girevoy" Valknut

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Escolhi uma abordagem, que julgo diferente, embora, de certeza, não original, para falar do Estado. E esta passará por comparar o nascimento e vida do Estado, com o nascimento e vida dos Organismos multicelulares, ou seja seres vivos formados por vários tipos de células, dotadas de diferentes funções. No final falarei das fragilidades desta forma de Organização.

No inicio a " Terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus movia-se sobre a face das águas; Génesis,1" surgindo, nas "águas", as primeiras estruturas auto-organizadas conhecidas como moléculas. Mais tarde estas ganharam a capacidade de se associarem em super-estruturas, formando as primeiras células, constituídas por partes/organelos com diferentes funções - ex: umas especializadas em captar alimento/produzir energia (mitocôndrias), outras em gerarem cópias de si (ex: proto-DNA). E por obra do acaso e da necessidade as que se associaram, em organismos multicelulares, há 3 biliões de anos, ganharam vantagem sobre as outras, que sozinhas permaneceram (organismos unicelulares). Pela lei da evolução de Darwin, aqueles sistemas de células mais complexos (sociedades de células), prevaleceram sobre outras formas existenciais, pois o beneficio global ganho era maior que os ganhos dos seus concorrentes, mais simples. Num instante, tendo em consideração a idade do planeta (4,5 biliões de anos), surgiram há 2,5 milhões de anos, os primeiros hominídeos (género Homo), Organismos Altamente Complexos, destacando-se, nestes, a singularidade do seu Cérebro - um Centro de Comando altamente desenvolvido, que nos faz únicos entre os demais animais.

Assim é o Estado, uma criação intelectual humana, cujo molde cultural talvez tenha sido a Organização Administrativa/Política das primeiras Cidades (8000-10.000 anos, atrás). Os Estados têm com os Super-Organismos diversas semelhanças. Também neles existe Especialização das partes que o constituem - segurança»»sistema imunitário , comunicação »» sinais neuro-endócrinos. Contudo para que seja possível um trabalho simbiótico, entre as suas diversas partes, é necessário que exista um Aparelho de Comando, que dite as ordens, esboce as regras, através das quais as vontades das partes se subordinem à vontade do Todo. A este Aparelho de Comando, deu-se o nome de Estado. Recorrendo à analogia do aparecimento da vida complexa e, novamente, ao Evolucionismo, inferimos que qualquer forma de organização complexa tem vantagem sobre as mais simples, sobretudo, em virtude da sua melhor capacidade adaptativa às mudanças, no ambiente/exterior onde se insere. Aliás, existe uma "Escola de Pensamento", na Biologia Evolutiva , que advoga o "gosto da vida" pela complexidade, defendendo que quaisquer que sejam as futuras formas de vida elas serão sempre mais complexas , como se houvesse uma lei natural favorecedora da Complexidade. Mas também os sociólogos, os politólogos e os filósofos defendem que as Estruturas de Poder/de Organização Social obedecem à mesma Lei da Complexidade, dando, a titulo de exemplo, os Organismos Multinacionais/Transnacionais (U.E. OMC, NATO, U.N,e tc), que evoluindo dos Poderes Locais Nacionais, os suplantaram (suplantarão?). Segundo, estes, ao futuro pertence um Governo Mundial. 

Destacarei, agora, os problemas do Estado e de todas as Estruturas que chamam a si a coordenação de outras. Idealmente um Centro de Comando deve deixar que as partes, a si, subordinadas, tenham alguma liberdade de actuação/individual, pois a sobrevivência de uma Estrutura depende da flexibilidade da sua Cadeia de Comando/Hierarquia. Estados/Organismos demasiadamente centralizados (pouco flexíveis, portanto), com cadeias de comando rígidas (burocráticas/excessiva especialização), apresentam claras desvantagens competitivas perante outros mais "liberais" (ex: Autoritarismo vs Liberalismo; Organismos pouco especializados - ex: omnívoros - vs Organismos muito especializados - ex: carnívoros estritos).Torna-se, assim, fundamental para o bom funcionamento estrutural, a existência de um equilíbrio entre a liberdade individual das partes, constitutivas do Todo, e o Centro de Comando/Estado, que as coordena/submete.

Depois é necessário mitigar, ainda, o "desejo", inato, de liberdade das partes/individuo, reactivo às imposições ditadas pelo Centro de Comando, expresso nessa vontade de fugir de qualquer hierarquia imposta/arbitrária, orgânica, ou social, o que de certa forma se relaciona com o acima, já, abordado. Mais especificamente, falo do conflito existente entre Ordem e Liberdade. A uma Ordem estrutural crescente estará associada, sempre, uma diminuição da Liberdade de cada uma das suas partes, aumentando o risco de desordem, de desestruturação do Estado/Organismo, através de rebeliões, ou doença (a doença, como o cancro, pode ser interpretada, em termos darwinistas, como a rebelião de um conjunto de células, individuais, contra um organismo "totalitário").

Falarei, finalmente, doutra propriedade, intrínseca à vida, mas também de quaisquer "seres" intelectuais, produzidos pela mente, como as ideias/memes. Ou seja, da Vontade, inexorável, de Perdurar. Vemos, isso, na Ciência em que as novas verdades, representadas por novas formas de pensar, demoram décadas a substituírem as antigas, tidas outrora como imutáveis (ex: Geocentrismo). Vemos, isso, também, em todas as forma de vida, que ao detectarem um estímulo nocivo, dele se afastam. E vemos, finalmente, essa característica, nas ideias políticas/económicas, que perante a ameaça de serem destronadas por outras mais adequadas ao Real, as tentam eliminar, nem que para isso adequem o real à ideologia por elas professada. Assim percebemos como se tornam difíceis as reformas mentais, antecessoras de qualquer reforma ideológica, política ou não. Pois tal como sucede com a bactéria, com o ser humano, ou com o "bicho" Estado, também as ideias anseiam pela sua existência, possuindo quem por elas viveu e possuindo aqueles que lhes deram, um dia, existência ("possuímos as ideias que nos possuem"; Edgar Morin). Paradoxalmente, desta vontade férrea de existir surge a maior ameaça àquele, ou àquilo, que pretende, a todo o custo, continuar a "viver como habitualmente".

Concluo, inspirado pela citação de um famoso estadista, da nossa praça:

 "A Realidade acaba sempre por tirar o tapete à ideologia"

Na política, como na vida, não existem fatalidades... bom, talvez haja, mas só no final.

 

Texto originalmente publicado em 22.01.2019 

 

28.06.20

Populismo, breve resenha


Vorph "Girevoy" Valknut

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Na imagem o símbolo da Guarda de Ferro.

"Cristo também era radical." André Ventura, o deputado que se compara com Jesus, começou o dia a rezar - e avisou os jornalistas que o ia fazer.

Transcrição de uma entrevista dada à TSF. 

 

Um Partido que:

1.Baseie as suas soluções em simplificações de problemas complexos é populista.

2.Recorra a uma retórica política identitária, associando uma raça, uma etnia, etc, a um conjunto de características viciosas intrínsecas (genéticas) é mais que populista (a sub-humanização antecede, SEMPRE, a barbárie, o genocídio - ex: as baratas tutsis, do Ruanda, os bacilos judeus, da Alemanha, os pretos, macacos, aqueles do sul da Europa...)

3.Tenha como líder alguém que acredita ter sido eleito por vontade de deus, confundindo, mais tarde, a letra do seu punho, com a letra divina. Chegados aqui, o líder é já um Messias, e a sua Doutrina, texto sagrado. (no fascismo, "puro e duro", há sempre um fascínio pelo oculto - ex: Vril e Sociedade Thule).

"A 13 de Maio de 1917 Portugal mudou para sempre. Fomos escolhidos! Também eu senti esta mudança profunda num 13 de Maio da minha vida. Hoje sinto, sei, que de alguma forma a minha missão política está profundamente ligada a Fátima. É este, talvez, o meu grande Segredo"

André Ventura no Twitter

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4.Que apele, que alimente, os mais baixos instintos (porque do Paleoencéfalo), como a defesa da "raça", a "honra do sangue", a violência como molde das mais belas virtudes (ex: valores militares), o temor pelo desconhecido, pelo Outro, pelo ambivalente, que defenda ser todo o castigo, resultado de uma culpa, qualquer - não há vitimas, apenas vitimização (Deus, lá saberá o que faz; o fatalismo estóico, como Ideal) -  adoptando, consequentemente, uma mundividência simplista, primária e binária da realidade (Nós vs Outros) é, também ele, um partido populista. 

5.Que resuma o seu programa político à Ordem e Segurança da Comunidade, sacrificando os Direitos, Liberdades e Garantias Individuais, é populista. 

 

André Ventura é um populista de Extrema Direita, com laivos de algo que, facilmente, o podem levar ao sinistro.

(texto originalmente publicado em 21.11.2019) 

 

27.06.20

"O meu mundo imaginário foi sempre o único mundo verdadeiro para mim"


Vorph "Girevoy" Valknut

"O meu mundo imaginário foi sempre o único mundo verdadeiro para mim. Nunca tive amores tão reais, tão cheios de verve de sangue e de vida como os que tive com figuras que eu próprio criei. Que pena! Tenho saudades deles, porque, como os outros, passam..." 

s.d.

Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Vol.II. Fernando Pessoa. (Recolha e transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982. - 367.

"Fase confessional", segundo António Quadros (org.) in Livro do Desassossego, por Bernardo Soares, Vol II. Fernando Pessoa. Mem Martins: Europa-América, 1986.

 

26.06.20

O Sujeito, póstero, sumir-se-á em diárias sujeições.


Vorph "Girevoy" Valknut

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Num póstero, não muito distante, seremos deserdados da nossa propriedade, da nossa liberdade. Em nome de uma boa e insigne ideia criar-se-ão novas e nobres obrigações, que implicarão dispêndios adicionais aos já presentemente desembolsados. O sobrante do montante sumir-se-á num jusante burocrático e fiscal, filiado numa crescente flexibilização de tudo que, amassado por artes e artimanhas, despojará a vasta camada média dos atributos da sua independência. Sentiremos, então, a asfixiante calcadura das incumbências crediticias em beneficio da Alta roda. Nessa sociedade, por vir, o grosso dos comuns não terá herdade, nem herança. Será dependente, submisso, subordinado. O Sujeito sumir-se-á em diárias sujeições.

24.06.20

Hania Rani


Vorph "Girevoy" Valknut

A vida é um hospital

 

Onde quase tudo falta.

 

Por isso ninguém se cura

 

E morrer é que é ter alta.

 

s.d.

Quadras ao Gosto Popular. Fernando Pessoa. (Texto estabelecido e prefaciado por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1965. (6ª ed., 1973).

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