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B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

15.05.20

As Cervejarias ainda guardam muito do vetusto e amargo lúpulo. 


Vorph "ги́ря" Valknut

Após tantos rios tintos, perdura, daninha, nas mentes de rendilhados conhecimentos, uns frutos de colheitas antigas, estagiados em folhas de carvalho, vinificados em estruturas complexas, de sofisticado aroma, confeccionados para bárbaros e deliciosos repastos de frágil civilidade. Manjares em que as palavras são mastigadas por bocas abertas e o pensamento lavrado em escancarados e grosseiros gestos. As Cervejarias ainda guardam muito do vetusto e amargo lúpulo. 

Por muitos persistirem em danças macabras teremos repetições das mesmas marchas.

 

Adenda :

Tendo vivido no Alentejo tive amigos ciganos (o Armando), não sendo necessária grande atenção para verificarmos ser a estupidez e a maldade qualidades sumamente democráticas, não discriminando raça, sexo ou credo. 

14.05.20

Nesses trementes esquecimentos, sei-me tremendamente, num tão fora de mim.


Vorph "ги́ря" Valknut

 

Por vezes, na cumeada, congelo num olhar de nada, quieto, sem outro propósito, senão dar queda a toda a intenção, numa vontade cega de perceber, quem, naquele instante, que não eu, olha por mim. Nesses trementes esquecimentos, sei-me tremendamente, num tão fora de mim. 

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Current 93 - Niemandswasser VI

"I have to say
I have to see
The twilight moonlit
The houses on hills
All appear so blind
At night
The webs that bind them
To the skies
Are golden, sparkling
With blood and dust
The angelic motes
On beams of blood
Dance
At night
The trees turn under the rain
Pan lies dead
From rut to rot

I saw the lighthouses all fall
Small angels hold parasols
And point to other skies
The clacking on the fence
Is long and loud
The noise of the fingers
Crack in my head
Behind my eyes
Between the bloodwalls
That line the streets and the skulls
Forever
The bonewhite temple
Letters piling up
Unanswered stars yawning together
You may have this gift from me
And i will send you nothing

From what i see
(and i see all)
The green is going
Black peter arises
With his sack chock full of tricks
(and none of them eternal)
Black peter arises
With his bag of blood
(and none of this runs eternal)
Black peter arises
And he smiles
White teeth cap over the blackened stumps
All the kings of all particular times
Have passed away
And lie in gutters
Pretty as pink
I thought that i had seen
Some bright new dawn
The children all laid down and smiled
The fires no longer smold and dullied
I watched the trash
That covered this world
Swimming in farces
In mud and in blood
Without a care in the world
The corpses are piled up almost to heaven
Chuckling or smiling
And rubbing their hands
Without a care in the world
And so we all lie dozing under the sun
Images of banality flick past our eyes
As we bask in this paradise
Littered around us
Books of religion covering my feet
And i haven't the time for a word

But still i see cottages covered in honeysuckle
The dovecots so full of the Birds in their thousands
The cats lap at cream in their pussyland dream
And they haven't a care in the world

And then it shines
We're all dust
I drop the compasss and point out the pole
And then it shines
We're all dust
So wait for me at niemandswasser
As i watch the flowers bloom
And trail the horseflies as they scream
The songs we'll never know:
It shines:
That we're all dust
It shines:
We're all dust
We're all dust"

14.05.20

A verdade do santuário de pedra


Vorph "ги́ря" Valknut


"Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por casas, por prados,
Por quinta e por fonte,
Caminhais aliados.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por penhascos pretos,
Atrás e defronte,
Caminhais secretos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por plainos desertos
Sem ter horizontes,
Caminhais libertos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por ínvios caminhos,
Por rios sem ponte,
Caminhais sozinhos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por quanto é sem fim,
Sem ninguém que o conte,
Caminhais em mim."


24-10-1932
Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995). - 146.

 

10.05.20

Ela não sofria, não sofreu, porque sentia, sempre, pelos demais, de menos. 


Vorph "ги́ря" Valknut

A D. Maria das Dores era bem quista por todos, gabada, molde de exemplo, porque por maiores que fossem os golpes do destino ou dos homens, recebia-os sempre com bons gestos. Nunca se ouviu, dela, queixume, reclamação ou rezas. "Era a vida, o que é que se havia de fazer?" Nem quando o filho se matou na cave. Nem quando o marido lhe espetou um facalhão de cozinha. Estoicamente, por maiores que fossem os provações, as provocações das Parcas, ela galgava-as, impassível, algumas vezes, diga-se em abono da verdade, para lá do humanamente razoável.

Um dia, apareceu-lhe o "bicho" do cancro e foi de vez. Uma noite chamou-me para lhe auscultar o peito, e ao ouvi-lo, desvendei o segredo. A D. Maria das Dores, desde pequenina, sentiu sempre muito pouco, não se lembrando, até, de alguma vez ter tido uma genuína vontade de chorar ou rir. E quando a tal se decidia, fazia-o por vergonha, para não arreliar os pais. Chegou a pensar que na cabeça lhe faltava uma cómoda.

Assim, a tal sobre-humanidade, admirada, da D. Maria das Dores, motivo de tanto elogio, tinha ironicamente origem numa característica inumana, doentia. Ela não sofria, não sofreu, porque sentia, sempre, pelos demais, de menos. 

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(Sobre a música)

Poema, Alone, de Edgar Allan Poe, musicado por Ihsahn.

"From childhood’s hour I have not been

As others were—I have not seen

As others saw—I could not bring

My passions from a common spring—

From the same source I have not taken

My sorrow—I could not awaken

My heart to joy at the same tone—

And all I lov’d—I lov’d alone—

Then—in my childhood—in the dawn

Of a most stormy life—was drawn

From ev’ry depth of good and ill

The mystery which binds me still—

From the torrent, or the fountain—

From the red cliff of the mountain—

From the sun that ’round me roll’d

In its autumn tint of gold—

From the lightning in the sky

As it pass’d me flying by—

From the thunder, and the storm—

And the cloud that took the form

(When the rest of Heaven was blue)

Of a demon in my view—"

 

 

 

 

10.05.20

Alcest


Vorph "ги́ря" Valknut

Dedicado:

Atitica

Folhasdeluar

Isabel

Mariali

Pedro Correia

Redonda

Robinson Kanes

Silvergirl

Vagueando

"Une prière lointaine que porte le vent du soir

Anime les feuilles dans leur danse alanguie.

C'est le chant des vieux arbres entonné pour toi,

Pour ces bois obscurs maintenant endormis.

Sans nous attendre tant de saisons ont passé;

Les feuilles dorées s'en allant mourir à terre

Renaîtront un jour sous un ciel radieux,

Mais notre monde érodé restera le même

Et demain toi et moi serons partis"