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B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

28.02.20

1969 (1699, 9619, 6199)... Nada mudou, nem mudará.


Vorph "ги́ря" Valknut

"In the year of the Lord
The word became flesh
But our bodies now
Will bleed as before
Nothing has changed (nothing has changed)
Since the late sixties
We all must carry
Rosemary's baby
Helter skelter
On the surface of the Moon
A heart of darkness
Let it bleed
Let it bleed
Inside yourself
For your father
All the way alive
Inside Golden Gate
There used to be a house
At 6114 California St."
Helter skelter

24.02.20

Ulver, Angelus Novus


Vorph "ги́ря" Valknut

A Klee painting named Angelus Novus shows an angel looking as though he is about to move away from something he is fixedly contemplating. His eyes are staring, his mouth is open, his wings are spread. This is how one pictures the angel of history. His face is turned toward the past. Where we perceive a chain of events, he sees one single catastrophe which keeps piling wreckage upon wreckage and hurls it in front of his feet. The angel would like to stay, awaken the dead, and make whole what has been smashed. But a storm is blowing from Paradise; it has got caught in his wings with such violence that the angel can no longer close them. The storm irresistibly propels him into the future to which his back is turned, while the pile of debris before him grows skyward. This storm is what we call progress.-Walter Benjamin.

Klee-angelus-novus.jpg

Quadro, Angelus Novus, de Klee. 

22.02.20

Zandinga


Vorph "ги́ря" Valknut

unnamed.jpg

 

1) Na mesma entrevista à RTP em que lança dúvidas sobre a atribuição da instrução da "Operação Marquês a Ivo Rosa, sem nunca mencionar qualquer investigação, Carlos Alexandre admitiu que poderia vir a ser chamado a depor. "Sou um funcionário do sistema judicial e espero que os outros se comportem em relação a mim (os intervenientes processuais) como eu me comporto em relação a a eles."

2) Juiz desembargador, Luís Vaz das Neves, é suspeito de viciação do sorteio electrónico dos processos no Tribunal da Relação de Lisboa.

21.02.20

desafio de escrita dos pássaros #2.4 - Quando é que a Amália vai morrer?


Vorph "ги́ря" Valknut

Lembro-me de há uns anos, largos, estar no escritório, lá de casa, ao computador. Era um aparelho enorme, como todos os computadores daquela altura, da marca A-miga. Pergunto-me se será esta a forma correcta de a escrever. Consulto o Google e afinal é Amiga, sem hífen. O Google é um espetáaaaaculo!!, como diz o "Gordo", trazendo, num instante, quase todo o passado para o presente. Adiante. Recordo-me, como dizia, de estar ao computador-mastodonte. A Internet teria chegado há relativamente pouco tempo a Portugal ou então, apenas, à minha casa. Tenho, disso, a certeza quase absoluta. Recorro, uma vez mais, ao Google e confirmo. Foi na década de 90. Parece-me certa a data para estas minhas memórias a sépia. Teria acabado de estudar para uns exames ou, talvez, tivesse acabado um joguito, tipo "After Burner", ou fartado de ver mamas. Sei lá, passou tanto tempo! Tinha decidido, naquela tarde, nem sei porquê, explicar à minha avó o que era a Internet." Lhó, anda cá acima, por favor, que quero mostrar-te uma coisa" "O quê?" "A Internet!" "Tá bem, subo já..."

Nunca chamei avó, à minha avó. Chamava-lhe "lhó". Enviuvara há uma catrefada de anos (o meu avô, militar e ex-Legionário, morrera nos anos 80, teria eu 11 anos, mais coisa, menos coisa), reformada há outros tantos. Trabalhara nos "Correios". Fora telefonista, tendo sido mandada p'ra "reforma" antecipada quando chegaram umas "máquinas modernas" chamadas Centralinas. Atenção que o "desemprego", aos cinquenta e picos anos, não foi castigo, mas bênção. Associada à pensão de viuvez, deu-lhe a liberdade de tomar fora, todo o santo dia, o pequeno almoço, o almoço, o "pós almoço", e ainda o lanche, mais o "pós-lanche". Umas torradinhas, chá, umas amigas, e na vida não sobrava muito mais. A minha avó nunca se deu bem com isso do "trabalhinho". Uma canseira, e ela estava certa. Adorava ver, ouvir, a Amália, o Marco Paulo, a canção "Ó Tempo Volta para Trás", a nossa senhora de Fátima e de beber água morna de um termo, para proteger a garganta. Tinha gosto que lhe pedissem, uma vez, por outra, para cantar o Fado. Não desafinava, nem trinava. Tinha certo jeito, corria na família, e daí lhe vinha o apelido, Cantiga (segundo reza a lenda teria havido uma bisavó/tetra/penta, enfim, alguém com jeito para as modas. Tal como na Alemanha, há os Schuster, na Inglaterra, os Smith, em Portugal temos os Cantiga). Nos últimos anos andava com a mania de usar, lá por casa, um chapéu, por causa das luzes do tecto que, quando acesas, dizia ferirem-lhe a vista. Quem sabe se por essa altura o coração não andaria já descompassado mas, para ela, antes a arritmia, que mais tarde a levaria, do que qualquer medicação. Viria a morrer muitos anos depois, em casa, sozinha. Da maneira "mais errada". Divago, lembrando-me, enquanto escrevo. Dizia eu, a minha avó subiu as escadas, entrando no escritório e ao olhar-me, disse-lhe:  "tás a ver isto? É um computador. Já ouviste falar na Internet?" "Sim". "Sabes o que faz?" "Não". "Olha, uma pessoa escreve aqui, qualquer coisa, e a Internet dá-te as respostas. Queres ver... sei lá, capital da....da Arménia...Erevan (não sei se tomei, nessa tarde, a Arménia como exemplo para alguma coisa). "Sabes onde fica a Arménia? Sabes que a Arménia é um país? Olha, fica aqui! Vês, nunca falha. Tu dizes, eu escrevo, ele mostra. Lhó, vá lá, diz-me, uma coisa, qualquer, que queiras saber!" Ela sorriu, ou a memória prega-mo e vejo-a sorrindo, como era seu hábito. Era de riso fácil porque com pouco se ralava, e pouco sabia, e com menos se governava, e talvez estas coisas andem todas ligadas. Vem-me, neste instante, à memória:

"Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anónima viuvez,

Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.

Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões para cantar que a vida.

Ah, canta, canta sem razão!
O que em mim sente está pensando.
Derrama no meu coração
A tua incerta voz ondeando!

Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência

Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!"

(Regressado). A minha avó, por fim, pediu-me: -  Olha, escreve aí "Quando é que a Amália vai morrer?" Virando-me, ri-me a bandeiras despregadas. Respondi-lhe que a Internet não tinha respostas para coisas não sucedidas. Que para adivinhações tinha a vizinha do 2º andar. Talvez, neste momento, invente, também, e não houvesse vizinha nenhuma. Mas, em tudo isto há já muita imprecisão, pedindo-vos algum desconto. É que, tal como no que conta, o Google está errado mais vezes do que a conta. 

20.02.20

Música Jónica, Meditação e Platão (pt2)


Vorph "ги́ря" Valknut

 

Sobre os "perigos" da Música ou, melhor, sobre a sua influência na Anima/Alma, recordo Platão:

"No próprio texto da República, ele aconselha a educação dos corpos pela ginástica e também pela musiké. Na Antiguidade, a música possuía uma função catártica, de purificação. Colocava o corpo em equilíbrio, harmonizando-o com a ordem cósmica, preparando-o para a aparição do divino. Possuía também uma função mimética e indutora: se a poesia imitava os homens em acção, a música imitaria os estados de alma, as suas emoções e virtudes. A cada modo musical atribuía-se um éthos, um carácter específico que o ouvinte associava de imediato a um significado psíquico, que poderia infundir ânimo e potencializar virtudes do corpo e do espírito".

"Platão submete a música ao mesmo exame severo ao qual estão sujeitas as outras artes. Na visão do filósofo, existem harmonias boas e más, ritmos bons e maus. Certos modos (o lídio ou o jônico) devem ser censurados porque amolecem a alma; outros (o dórico ou o frígio) devem ser incentivados, pois exaltam a alma e inspiram coragem. Alguns ritmos chegam a ser proibidos, assim como certos instrumentos e inovações musicais. A ideia central da concepção platónica é resumida numa fórmula célebre e ainda hoje impressionante, justamente pelo poder que concede à música: “Introduzir uma nova forma de música, eis uma mudança da qual devemos nos precaver como de um perigo global. É que em lugar algum alteram-se os modos da música sem que se alterem as leis mais importantes da cidade.”

 

19.02.20

Música e Meditação


Vorph "ги́ря" Valknut

As ondas cerebrais são produzidas pelos neurónios (as células constitutivas do nosso Sistema Nervoso Central), mais precisamente pela entrada/saída de iões, através das membranas celulares. Este fluxo produz ondas electromagnéticas que conseguem ser registadas pelos Electroencefalógrafos (aparelhos que registam os electroencefalogramas). Existem, conforme as frequências em que são emitidas, as ondas gamma (30-70Hz), beta (13-30Hz), alpha (8-13Hz), theta (4-8Hz) e delta (1-4Hz). Cada uma dessas ondas está relacionada com diferentes estadios de Consciência. As gamma, por exemplo, estão associadas a estados de meditação.

 

gamma.png

Creio que a música, ao emitir sons com determinadas frequências (sendo o Hertz, Hz, a unidade de medida), terá certa capacidade para "influenciar" os nossos "estados de espírito". No meu caso, tonalidades graves combinadas com melodias simples e repetitivas conduzem-me a estados de consciência "alterados".

 

17.02.20

Ulver, Russian Doll


Vorph "ги́ря" Valknut

Conheci os Ulver em 1995, por aí. Primeiro "tocavam" um Black Metal cru mas já com alguns elementos inovadores, como as vozes limpas e os sons "ambientais", gravados em florestas norueguesas. Mais tarde, estando fartos do "género" pelo qual ficaram originalmente conhecidos, "enganaram" uma editora alemã (Century Media), exigindo um orçamento absurdo para a gravação de um álbum inimaginável, tendo em conta os álbuns anteriores, e herético para muitos dos seus fãs. Porém, esse álbum, The Marriage of Heaven and Hell (inspirado na obra homónima de William Blake) inaugurou o novo género "Ulveriano", abrindo a porta a muitos outros grupos, derrubando outros tantos tabus. 

Os velhos Ulver, como os conheci (álbum, Bergtatt). 

 

 

 

 

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