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B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

13.12.19

Den Ständiga Resan (Marie Fredriksson,1958-2019)


Vorph "ги́ря" Valknut

När jag tänker på den ständiga resan genom livet
När det alltid känns som höst
Då vänder sig vinden sakta mot norr
Och blommorna dör
Det faller regn i mina drömmar

Jag måste resa igen och leta efter tröst
Jag måste leta igen efter ömhetens röst
Jag måste resa igen till nästa höst
Den ständiga resan till nästa höst

När jag vandrar på den steniga vägen genom livet
När det känns som jag bar på en sorg
Då gömmer sig solen sakta i moln
Och ordet är adjö
Snart faller snö i mina drömmar

Jag måste resa igen och leta efter tröst
Jag måste leta igen efter ömhetens röst
Jag måste resa igen till nästa höst
Den ständiga resan till nästa höst
Oooo den ständiga resan till nästa höst

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When I think of the perpetual journey through life
When it always feels like autumn
The wind moves slowly to the north
And the flowers die
Rain falls in my dreams

I must travel again and search for comfort
I must search again for the voice of tenderness
I must travel again to next autumn
The perpetual journey to next autumn

When I wander on the stony road through life
When it felt like I carried a sorrow
Then the sun hides slowly in the clouds
and the word is goodbye
Soon the snow falls in my dreams

I must travel again and search for comfort
I must search again for the voice of tenderness
I must travel again to next autumn
The perpetual journey to next autumn
Oooo the perpetual journey to next autumn

Letra: Marie Fredriksson (1958-2019)

10.12.19

"Os dois carentes, foi logro aceite quando nos fodemos".


Vorph "ги́ря" Valknut

Foi como amor aquilo que fizemos
Sem manhã sujeitos ao presente;
Os dois carentes
Foi logro aceite quando nos fodemos.

Foi circo ou cerco, gesto ou estilo
O termos juntos
Sexo com ternura
Foi candura
Num clima de aparato e de sigilo

Num clima de aparato e de sigilo
Num clima de aparato e de sigilo.

Se virmos bem
Ninguém foi iludido
De que era a coisa em si - só o placebo
Com algum excesso
Com algum excesso que acelera a líbido.

E eu palavrosa, injusta desconcebo
O zelo de que nada fosse dito
E quanto quis
E quanto quis tocar em estado líquido.

Foi circo ou cerco, gesto ou estilo
Num clima de aparato e de sigilo
Foi circo ou cerco, gesto ou estilo
Num clima de aparato e de sigilo
Foi como amor aquilo que fizemos
Os dois carentes
Foi logro aceite quando nos fodemos.

10.12.19

"Agora há um pedido de donativos solidários para lhe pagar o enterro, e não escapa a muitos de nós que melhor teria sido tal ser feito em vida. Não o funeral, mas o donativo solidário, para viver. Para não ser enterrado em vida"


Vorph "ги́ря" Valknut

actor.jpg

Divertem-nos das nossas variações douradas de monotonia, no intervalo entre um prato de sopa e a hora do deitar. Depois morrem-nos, valados entre as bugigangas diárias da vida séria. Tornámo-nos, no entretanto, grandes artistas, capazes de bufar, em hexâmetros, as nossas pueris ficções diárias. Quanta tristeza há quando para suportar a realidade já nem a ficção nos vale.

Que descanse em paz.    

 

JOSÉ LOPES (1958-2019)
"A brincadeira com a banana e a fita adesiva trouxe-me à memória a Eugénia, que já cá não está e fazia entrevistas absurdas no Chiado, nos anos 80 (os anos que mais pediam absurdo na rua porque era possível e porque a realidade ainda não era absurda, roubando trabalho honesto aos artistas honestos). E agora vem a notícia de que o Zé Lopes também já foi, encontrado no tugúrio onde morava por um amigo um par de dias depois de morrer. Agora há um pedido de donativos solidários para lhe pagar o enterro, e não escapa a muitos de nós que melhor teria sido tal ser feito em vida. Não o funeral, mas o donativo solidário, para viver. Para não ser enterrado em vida, precisamente.
O Zé Lopes foi o primeiro grande actor que conheci, ainda no teatro da escola, Os Arletes, em 1975, orientados pelo professor Limpinho, de Filosofia, que ainda cá anda (parece) mas está difícil de localizar por quem para com ele tem (e somos muitos) uma dívida de gratidão.
Nós éramos aprendizes de, o Zé Lopes era já actor autêntico. E actor se tornou.
O que têm os actores que os torna tão frágeis, vulneráveis à chuva ácida? Ao contrário dos espertos como eu que nos habituámos a só sair à rua de gabardina com protecção anti-bala?
O teatro nunca foi o nosso forte em escrita (pouca, poucachinha ao longo de oito séculos brilhantes para a poesia e a prosa, artes mais solitárias, logo mais adequadas ao clima português) mas foi vibrante em palco, mesmo quando o público voava noutras direcções. O teatro exige um público, uma sociedade que saiba dialogar, onde até o mais fraco tenha afiada língua contra poderoso senhorito, e nós sempre fomos mais de calar que de falar. «O silêncio é de ouro, o diálogo mata», poderia ser um lema.
O Zé Lopes foi. Já cá não está. A última vez que o vi não tive a certeza de que era ele e, quando o pude ir procurar, tinha desaparecido.
Agora desapareceu. Fica a memória, o algum remorso, a voz e a presença claras, de quando era um actor feliz. Se justiça houver, estará neste momento a receber aplausos, o melhor prémio para um actor. De dinheiro (o segundo melhor prémio para um actor) já não precisa. Apenas nós, para o seu funeral".

De Rui Zynk.

 

10.12.19

A normalização da anormalidade resume-se ao sacrifício idiota de um néscio em nome de uma comunidade cretina


Vorph "ги́ря" Valknut

 

gabor mate.jpg

Curamos adictos, toxicodependentes, trocando drogas ilegais por outras, socialmente aceites, e por isso legais. Aceitamos adicções, obsessões e, portanto, patologias mentais, se estas forem benéficas para a comunidade. A normalização da anormalidade resume-se ao sacrifício idiota de um néscio em nome de uma comunidade cretina.

 

"It is impossible to understand addiction without asking what relief the addict finds, or hopes to find, in the drug or the addictive behaviour.”
― Gabor Mate, In the Realm of Hungry Ghosts: Close Encounters with Addiction

 

http://thezeitgeistmovement.se/files/In_the_Realm_of_Hungry_Ghosts_-_Gabor_Mate__M.D_.pdf

 

 

10.12.19

Queixas de um utente (da vida)


Vorph "ги́ря" Valknut

Ouvindo :

"Pago os meus impostos, separo o lixo, já não vejo televisão há cinco meses, todos os dias rezo pelo menos duas horas com um livro nos joelhos, nunca falho uma visita à família, utilizo sempre os transportes públicos, raramente me esqueço de deixar água fresca no prato do gato, tento ser correcto com os meus vizinhos e não cuspo na sombra dos outros. Já não me lembro se o médico me disse ser esta receita a indicada para salvar o mundo ou apenas ser feliz. Seja como for, não estou a ver resultado nenhum"

Poema de José Miguel Silva e Adília Lopes. 

Música de "A Naifa". 

 

Lendo :

"Não levantava ondas, não gostava de sobressaltos. Vivia para ter o seu sossego. Trabalhava há vinte anos na seguradora na mesma função. Nunca progrediu, por ser visto como cumpridor e eficaz mas pouco provido de rasgo, que é o mesmo que dizer sem capacidade de puxar o tapete aos colegas, incapaz de engraxar as chefias e sem jeito para se impor entre os demais". (continua) 

De Isabel Paulus, do Blogue Comezinhas

09.12.19

Não há substâncias adictivas, o que há são pessoas com problemas.


Vorph "ги́ря" Valknut

1.

A) As bebidas alcoólicas são potencialmente adictivas ?

B) Sim.

A) O seu consumo e produção são legais?

B) Sim. 

A) Quais os efeitos nocivos do alcoolismo?

B) Danos cerebrais, hepáticos, renais, cardíacos, oncológicos...

2.

A) O tabaco é potencialmente adictivo? 

B) Sim.

A) O seu consumo e produção são legais?

B) Sim. 

A) Quais os efeitos nocivos do tabagismo?

B) Danos cerebrais, hepáticos, renais, cardíacos, oncológicos...

3.

 A) A canábis é potencialmente adictiva? 

B) Sim.

A) O seu consumo e produção são legais?

B) Não. 

A) Quais os efeitos nocivos do consumo excessivo de canábis ?

B) Danos cerebrais, hepáticos, renais, cardíacos, oncológicos...

4.

A) Os "açúcares" são potencialmente adictivos?

B) Sim.

A) O seu consumo e produção são legais?

B) Sim. 

A) Quais os efeitos nocivos do consumo excessivo de açúcares?

B) Danos cerebrais, hepáticos, renais, cardíacos, oncológicos...

A) No caso das substâncias legais, porque é que a maioria das pessoas, que as consome, não fica "adicta"? 

B) Porque as substâncias são "potencialmente" adictivas, não são "por si" adictivas. 

A) Portanto depende de quem as consome, certo? 

B) Sim. 

A) Então, posso dizer que não há substâncias adictivas mas, sim, pessoas com maior propensão para criar dependências? 

B) Bom... sim. 

A) Quais as causas que tornam uma pessoa mais propensa, do que outra, para criar essas dependências? 

B) Problemas? 

A) Problemas, onde? 

B) Na tua pergunta. 

 

Gabor Maté

09.12.19

Bom Astral


Vorph "ги́ря" Valknut

Registando elevações ou depressões com seus rios ou afluentes que umas vezes transbordam, outras, parecem ressequidos e/ou cansados de intempéries...

Não há pressa em avistar o mar. Não há pressa que o sol brilhe, nem que a lua, iluminada por ele, surja no seu bailado feiticeiro.

Assim vai a história construindo-se de pequeníssimas estorietas, reparo. Parece que o sonho partiu e quer abalroar-nos de vazio ou absorver-nos em poeira. Cegando-nos, devagarinho e querendo-nos emburrecer, perdemo-nos do ideal de cada vida nossa.

Qual ideal???...

Quero sacudir-me... Se puder, deixar-me ser! Como Exemplo, como Maior, como Mãe, como Humano.

Entusiasmar por pequeninos acontecimentos, sorrir até os cantos da boca me doerem, fazer projectos, e, se puder, cumpri-los...

Viajar, abraçar gente que gosto, sem precisar de dizer que a amo.

Correr avançando degraus. Sentir-me num corpo sem idade. 

Não precisar explicar com palavras o que canta o coração, mas, e, se puder, compreendê-lo. 

 

De Mariali

09.12.19

(Jeremy Soule) - "Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio. Mais vale saber passar silenciosamente"


Vorph "ги́ря" Valknut

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.

Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos

Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.

 

                (Enlacemos as mãos).

 

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida

Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,

Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,

 

                (Mais longe que os deuses).

 

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.

Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.

Mais vale saber passar silenciosamente

 

                (E sem desassossegos grandes).

 

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,

Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,

Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,

 

                (E sempre iria ter ao mar).

 

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,

Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e caricias,

Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro

 

                (Ouvindo correr o rio e vendo-o).

 

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as

No colo, e que o seu perfume suavize o momento —

Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,

 

                (Pagãos inocentes da decadência).

 

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois

Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,

Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos

 

                (Nem fomos mais do que crianças).

 

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,

Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.

Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio,

 

                (Pagã triste e com flores no regaço).

 

12-6-1914

Odes de Ricardo Reis . Fernando Pessoa. (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994). - 23.

09.12.19

A Arte de Ficar Sozinho


Vorph "ги́ря" Valknut

 

caminhada.jpg

 

Sinopse


"Derradeira exposição das ideias de Thoreau sobre o homem e a natureza, Caminhada foi a palestra mais proferida pelo seu autor. Intimamente ligada a Walden ou a Vida nos Bosques pela temática, foi apontada por Thoreau como um dos seus trabalhos seminais. O impacto da obra é indissociável da qualidade visionária das suas linhas, que lhe valeu o estatuto contemporâneo de ensaio basilar para os movimentos ecologistas. Nos primórdios da industrialização americana, Thoreau entrevia já os perigos da sociedade materialista: a distorção das necessidades básicas do homem e o alheamento do mundo natural e da sua espiritualidade. O percurso físico que o autor advoga é, afinal, uma viagem interior, rumo a uma existência reduzida ao essencial e em liberdade".

A pressão de pensarmos constantemente, sobre múltiplos assuntos, no convencimento de daí surgir algum tipo de realização é, no final, o caminho que nos leva à miséria.

Naval Ravikant

 

09.12.19

Educando e divertindo.


Vorph "ги́ря" Valknut

É frequente, os pais, preocupados com a educação dos filhos, tentarem, desde "tenra" idade, incutir o gosto pela leitura. Começam pelos belos e familiares livros ilustrados, com lindas estórias. Fazem bem, claro. Contudo, não se devem esquecer, também, dos meios tecnológicas existentes, hoje, ao nosso dispor. Recomendo que dêem uma olhadela ao youtube, onde se descobrem belíssimas curtas metragens animadas, pequenos contos morais. Destaco, daqueles, os "mudos", especialmente adequados aos mais pequenos, que ainda não sabem ler, ou acompanhar a "velocidade das legendas", ou entender outros idiomas. Além disso, sendo de curta duração, as narrativas estão condensadas, sendo a "mensagem" compreendida rápida e eficazmente, diminuindo, assim, a probabilidade de eles "protestarem" por estarem há já muito tempo sentados 😒