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B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

07.11.19

A Natureza Humana é a Psicose.


Vorph "ги́ря" Valknut

(Psicose é uma perturbação da mente que causa dificuldades em determinar o que é ou não real) 

 

razão do Homem é uma artimanha, do natural, que empresta certa lógica ao seu apetite irracional. Para melhor a compreendermos usemos este exemplo: O animal bebe do charco, nós do copo. Um copo que serve mais disfarce, do que água.

Falo na nossa capacidade de inventarmos significados, símbolos, et cetera, que têm como propósito não a representação, o conhecimento objectivo do real, mas sim o divórcio entre este e nós. A cultura, em sentido lato, mais do que a ciência, foi/é uma invenção, nossa, que teve, e tem, como objectivo um desligamento do real, do natural (ex: o Bem Moral sempre difícil, doloroso porque inatural - não matar o inimigo, controlo dos instintos, sacrifício). Os sistemas filosóficos transcendentais, onde incluo a religião, "inventaram" , para nós, naturezas diferentes da nossa própria natureza. Daí talvez o número crescente de Psicopatias (guiamo-nos por condutas morais/comportamentais inadequadas à nossa biologia). A propósito, Sapolsky fala, no seu mais recente livro, repetidamente disso.

Racionalizamos, a posteriori, comportamentos que são independentes da nossa vontade, fingindo, na maior parte das vezes, um controlo, que não temos, nas escolhas que fazemos. Somos até capazes de transformar um meio, para obter um fim, num fim, em si mesmo - ex: o acto sexual como meio para a criação (fim), passou, com a evolução cultural/científica, a ser outro fim. Já para não falar na Arte, que deixou, mais concretamente, a pintura, no final século XIX, início do XX, de imitar o objecto, pondo de lado os sentidos humanos. Transcorrido pouco tempo perdeu-se num subjectivismo sem sentido. 

Daí a "metáfora do copo". Os "copos" representam todas as criações que permitem reforçar a fronteira entre nós, "pessoas humanas" , do "macaco mal acabado", que somos.

Se é bem verdade que a maioria tem fé na evolução biológica das espécies, crê também, bem lá no fundo, que devemos mais ao pó das estrelas, do que ao percurso evolutivo. Assim, ao mesmo tempo que deixamos a Biologia para os macacos, usamos a Arte para as nossas "macaquices".

 

PS:  Burilei este texto, após uma conversa amigável, mas, com o retoque, os comentários desapareceram. Peço desculpa. 

06.11.19

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Vorph "ги́ря" Valknut

 

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As derradeiras palavras, da última hora, eram frequentemente ditadas pelo moribundo, ou escritas por outros, com o propósito de deixar à posteridade um tipo de sumário do ser que partia. Estava vedado aos grandes estadistas, pensadores, homens de acção, morrer num gemido.

Recordo, aqui, algumas dessas frases dadas em testamento:

"Estou entediado com tudo".

Churchill

"As últimas palavras são para os tolos que não disseram o suficiente em vida". 

Marx

"Aplaudam, a comédia terminou".

Beethoven

 

Olhando para a noticia, constante no canto superior direito da publicação aqui deixada, imaginei, estas:

"Ai, que é desta que me vou, sem me vir....."

 

05.11.19

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Vorph "ги́ря" Valknut

Conto-me ao olhar em cada lanço do mar e no debrum azul imagino serem verdadeiras as minhas fantasias.

A gravidade da vida achei-a nas falésias despidas pelas marés vazias. Do fundo trouxe os desejos partidos em garrafas. As certezas fi-las de areia. 

Não me tendo dado conta do caminho, nunca passei senão por salas de espera, no rasto dos dias. 

 

Phrov Tunklav, 1920.

 

 

05.11.19

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Vorph "ги́ря" Valknut

"O Homem é a medida de todas as coisas". 

Protágoras (481a.c- 411a.c)

"O Homem é um criador de valores. Ele interpreta, valora, dando um sentido às coisas”

Nietzsche (1844-1900)

A Morte é a medida de todas as coisas. É por ela que valoramos a vida, e a interpretamos numa carência de sentido. 

Vorph Valknut (1977-?)

 

 

 

 

04.11.19

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Vorph "ги́ря" Valknut

 

"É um dia como outro qualquer. Chove. O que não acontece todos os dias, é certo, mas não é extraordinário nesta época do ano. Gotas de chuva volumosas e cristalinas, perfeitas na sua forma, escorrem lentamente pelo vidro liso e frio, em atropelos desalinhados quando se cruzam os trilhos em que se desvelam. 

Não está frio, mas há gente afogada em gabardinas, e lenços, e guarda-chuvas vorazes, gravemente abespinhadas com a humidade do ar, com a desfaçatez do tempo, como se daí, e daí só, resultasse o mofo sombrio em que embebedam as suas vidas perfeitas e aprumadas, tão perfeitas e aprumadas quanto vazias, sem margem para imprevistos quezilentos da natureza, de natureza alguma.

Do outro lado do vidro, o mar vai e vem, desassombrado, alheio a enfados mundados, murmurando ladainhas acordadas e meigas, mornas, que crescem e morrem sob a batuta branca e espumosa das ondas que se esvaziam em paz na areia dourada da praia, numa ávida luxúria entretanto saciada.   

É um dia como outro qualquer. Entre as gotas da chuva suspendo memórias, e risos, e lágrimas, e tempos perfeitos e imperfeitos, como notas numa pauta, como acordes de música, sem medo de errar e cheia de dúvidas, sem mancha de remorsos e cheia de medos, numa harmonia mais-que-perfeita, alheia às amarras dessa felicidade absoluta com que pretendem corromper-me, tolher-me o desassossego de viver em constante sobressalto. Como se viver plenamente se pudesse de outro modo". 

 

De naomedeemouvidos

04.11.19

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Vorph "ги́ря" Valknut

.. do Livro do Desassossego

«Toda a vida da alma humana é um movimento na penumbra. Vivemos, num lusco-fusco de consciência, nunca certos com o que somos ou com o que nos supomos ser. Nos melhores de nós vive a vaidade de qualquer coisa, e há um erro cujo ângulo não sabemos. Somos qualquer coisa que se passa no intervalo de um espectáculo; por vezes, por certas portas, entrevemos o que talvez não seja senão cenário. Todo o mundo é confuso, como vozes na noite.

 

Estas páginas, em que registo com uma clareza que dura para elas, agora mesmo as reli e me interrogo. Que é isto, e para que é isto? Quem sou quando sinto? Que coisa morro quando sou?

 

Como alguém que, de muito alto, tente distinguir as vidas do vale, eu assim mesmo me contemplo de um cimo, e sou, com tudo, uma paisagem indistinta e confusa.

 

É nestas horas de um abismo na alma que o mais pequeno pormenor me oprime como uma carta de adeus.

 

Sinto-me constantemente numa véspera de despertar, sofro-me o invólucro de mim mesmo, num abafamento de conclusões. De bom grado gritaria se a minha voz chegasse a qualquer parte. Mas há um grande sono comigo, e desloca-se de umas sensações para outras como uma sucessão de nuvens, das que deixam de diversas cores de sol e verde a relva meio ensombrada dos campos prolongados.

 

Sou como alguém que procura ao acaso, não sabendo onde foi oculto o objecto que lhe não disseram o que é. Jogamos às escondidas com ninguém. Há, algures, um subterfúgio transcendente, unia divindade fluida e ouvida.

(…)»

03.11.19

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Vorph "ги́ря" Valknut

 

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Rio Ribadil, Galiza (Novembro, 2019, 15km, 6 horas de caminhada, sob influência da Tempestade Amelie ). 

 

„Fui para o bosque porque pretendia viver deliberadamente, defrontar-me apenas com os factos essenciais da vida, e ver se podia aprender o que ela tinha a ensinar-me, em vez de descobrir à hora da morte que não tinha vivido. Não desejava viver o que não era vida, sendo a vida tão maravilhosa, nem desejava praticar a resignação, a menos que fosse de todo necessária. Queria viver em profundidade e sugar todo o tutano da vida.“

Henry David Thoreau (1817-1862)
01.11.19

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Vorph "ги́ря" Valknut

O Homem, ao evadir-se da cadeia da sua Natureza, poderia imaginar-se como o mais livre de todos os animais (umas vezes lobo, outras cordeiro, capaz de ser anjo ou demónio). Porém, posto em liberdade, inquieta-se perante as incontáveis possibilidades. Podendo ser tudo, fica sem saber quem é. Ao escapar dos limites, apertados, da sua gaiola, ficou sem referências. No final trocou, meramente, a Prisão do Ser pelo Labirinto do Ser. 

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