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B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

29.11.19

"Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável"


Vorph "Girevoy" Valknut

Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável,
Porque para o meu ser adequado à existência das coisas
O natural é o agradável só por ser natural.

Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno—
Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
E encontra uma alegria no facto de aceitar—
No facto sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável.

Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me acontece
Senão o Inverno da minha pessoa e da minha vida?
O Inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço,
Mas que existe para mim em virtude da mesma fatalidade sublime,
Da mesma inevitável exterioridade a mim,
Que o calor da terra no alto do Verão
E o frio da terra no cimo do Inverno.

Aceito por personalidade.
Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,
Mas nunca ao erro de querer compreender demais,
Nunca ao erro de querer compreender só com a inteligência.
Nunca ao defeito de exigir do Mundo
Que fosse qualquer coisa que não fosse o Mundo.

24-10-1917
“Poemas Inconjuntos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993). - 92.

 

29.11.19

Há na imperturbabilidade, da corrente, certa beleza, que me baralha o pensamento, de ser eu, e não ela que, por mim, passa.


Vorph "Girevoy" Valknut

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(Minho, 2019) 

Na ribeira deste rio

Ou na ribeira daquele

Passam meus dias a fio.

Nada me impede, me impele,

Me dá calor ou dá frio.

Vou vendo o que o rio faz

Quando o rio não faz nada.

Vejo os rastros que ele traz,

Numa sequência arrastada,

Do que ficou para trás.

Vou vendo e vou meditando,

Não bem no rio que passa

Mas só no que estou pensando,

Porque o bem dele é que faça

Eu não ver que vai passando.

Vou na ribeira do rio

Que está aqui ou ali,

E do seu curso me fio,

Porque, se o vi ou não vi.

Ele passa e eu confio.

 

2-10-1933

Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995). - 184.

28.11.19

"Mais vale, sim, mais vale sempre ser a lesma humana que ama e desconhece, a sanguessuga que é repugnante sem o saber."


Vorph "Girevoy" Valknut

"Reconhecer a realidade como uma forma da ilusão, e a ilusão como uma forma da realidade. Reconhecer que numa cela ou num deserto está o infinito, e que numa pedra se dorme cosmicamente.(...) Mais vale, sim, mais vale sempre ser a lesma humana que ama e desconhece, a sanguessuga que é repugnante sem o saber. Ignorar como vida! Sentir como esquecimento! (...) um cuspo frio do leme alto"

(adaptação livre)

14-5-1930

"Fase confessional", segundo António Quadros (org.) in Livro do Desassossego, por Bernardo Soares, Vol II. Fernando

26.11.19

Joacine Katar Moreira: "A verdade sem eloquência perde a sua força".


Vorph "Girevoy" Valknut

 

“O discurso é um senhor poderoso que (…) pode banir o medo e apagar a tristeza e instilar prazer e potenciar a piedade. (…) O poder do discurso tem o mesmo efeito sobre a alma, do que a aplicação de drogas sobre os corpos; tal como diferentes drogas dissipam diferentes fluidos do corpo e alguns acabam com a doença e outros acabam com a vida, assim alguns discursos causam dor, alguns, prazer, outros, medo” (Platão, em Górgias).

 

No seu Tratado (Retórica), Aristóteles atribui às emoções (pathos) um papel fulcral à Persuasão. O pathos define-se como a influência emocional que o orador possui sobre o auditório, sendo tal a sua importância que o filósofo lhe dedica três livros do seu Tratado. Se o objectivo é persuadir o auditório será essencial que o orador seja capaz de desencadear os estados emocionais apropriados, a cada situação, através de um discurso fluído, coerente, eficaz. As emoções, assim, desencadeadas afectarão os julgamentos.

 

Por outro lado, numa longa secção do, De Oratore (Livro II, 178-216), Cícero discute as técnicas emocionais que retomam as dos antigos ensinamentos gregos. Cícero salienta a importância da voz, dos gestos e da aparência. No mesmo tratado, é reconhecido o poder de um discurso verbal elegante com estilo elevado.

Citando Cícero:

"Note-se que, sem a língua (oratória), o coração (razão) não se manifesta sabiamente".

Rematando, Cícero, conclui:

"A verdade sem eloquência perde a sua força"

 

 

26.11.19

O 25 de Novembro para Totós


Vorph "Girevoy" Valknut

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Terceira Lei de Newton - para toda a Acção existirá uma Reacção, do mesmo valor e direcção, mas com sentido oposto.

(Lex III: Actioni contrariam semper et aequalem esse reactionem: sine corporum duorum actiones in se mutuo semper esse aequales et in partes contrarias dirigi). 

 

Acção:

11 de Março de 1975.

Tentativa de Golpe de Estado pelas "Forças da re(Acção) ". 

Reacção:

25 de Novembro de 1975.

Tentativa de golpe pelas "Forças Revolucionárias". 

 

26.11.19

Na Sala de Alma


Vorph "Girevoy" Valknut

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Ao Norte, na floresta...

"Chegado a um bosque Zaratustra avista um eremita que o tenta convencer a não regressar para o meio dos homens. “Trago aos homens uma dádiva”, diz Zaratustra, mas o eremita avisa-o que o homem é imperfeito e mais sensato seria ficar, como ele, na floresta, compondo hinos a deus".

 

 

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