Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

08.10.19

...


Vorph Valknut

Drought makes the workers dream
Muscles and fields of green
Shovel the last few crumbs
Of generosity
Open hearts, open mind, open mouth, open vein
Drain
Someday the rains will come
My blistered hands tell me
Tomorrow, tomorrow, tomorrow
Bite
Bite
Bite
Cry
I'll keep coming back
Smaller and smaller and smaller
Squash me
Smaller and smaller and smaller
Under the charity
Smaller and smaller and smaller
Under the topsoil
Smaller and smaller and smaller
Under the fingernail
Smaller and smaller and smaller
Then small becomes all becomes all...
Bite
Bite
Bite
Cry
It 's not a mirage
It's not a mirage
Trickling downward, trickling downward
It's not a mirage
Drain
Drain
Bite
Bite
BiteCry
Smaller and smaller and smaller and smaller and smaller...

08.10.19

...


Vorph Valknut

 

Brutal interpretação de Joaquin Phoenix. O filme retrata, como as circunstâncias económicas e sociais podem tornar pessoas normais, em "monstros".

Há uma crítica, bem presente, ao sistema político e económico actual , em que uns têm tudo e muitos têm pouco mais que sonhos. Uns mornos, cheios de nadas . Outros de vingança (sobre aqueles que afirmam ser a miséria culpa dos miseráveis).

Gostei mais da componente psicológica do filme, do percurso normal, de um indivíduo, em direcção à loucura, do que da outra, política .

Outro aspecto interessante, do filme, é como a violência pode surgir de um desejo esmagador de fazer o Bem. Assim dos mais justos, sairiam (saem) os mais violentos (o que é a justiça senão o uso da violência em nome do Bem?).

(Um aparte :Claro que em determinados casos os fins justificam os meios - nunca devemos matar, excepto em nome da paz (parodoxal). O Bem e o Mal como dependentes do contexto) .

Há no final um certo desconforto, no espectador, ao perceber que todos nós, sobre determinadas circunstâncias poderíamos ser o Joker , e por isso, por ele, acabamos por sentir certa empatia, compaixão pelo vilão.

Pergunto-me, quando o sistema está podre, corrupto, manietado, viciado pelo Poder político, as forças de segurança, de justiça, representam quem? Protegem - nos, ou são usadas pelo Estado para o protegerem do seu "Povo"? Batman, neste sentido, seria o vilão e Joker, o herói.

Uma pergunta final : Numa sociedade moldada por princípios imorais como deveremos olhar para os bem sucedidos, para os bem adaptados? Com admiração, ou repugnância?

Recomendo.

4*

02.10.19

...


Vorph Valknut

Todas as rebeliões se fizeram em nome da felicidade mas, uma vez triunfantes, convertem-se por norma no seu oposto, sem que os heróis deixem por isso de se afirmar convictos de continuar a agir tendo por única motivação a felicidade comum, mesmo quando recorrem ao terror e chacinam milhões de adversários.

 

Por outro lado, os indivíduos, cuja espontaneidade natural aparentemente os tornaria rebeldes, experimentam amiúde a tentação de se entregar a um qualquer inquisidor, grande ou pequeno, que os alivie do fardo que é governarem-se a si mesmos, e enfraquecem, numa alucinação de felicidade.

 

Será possível ser feliz sem a tranquilidade que o ser-se livre impede? Ou a felicidade não reside senão na ilusão da liberdade que os inquisidores prometem e a que chamam de servidão voluntária?

 

O liberalismo, através de Benjamin Constant, já tentara responder a esta mesma questão, pondo em evidência a necessidade de resguardar a liberdade individual, face ao império da "vontade geral" incarnada no poder do Estado. Contra aquilo que Rousseau ensinara, o facto de uma comunidade obrigar cada um dos seus elementos a ser livre, isto é, a sobrepor a condição de "cidadão" aos seus interesses particulares, afigura-se a um olhar liberal como uma forma de despotismo em tudo igual a qualquer outra. Ser livre, para Constant, não implica tanto a participação nas decisões que se tomam na esfera pública, como o desfrutar de independência e não ser incomodado na esfera privada.

 

Ao ler «Sobre a Liberdade» (1859), a mais conhecida obra de John Stuart Mill, é quase impossível não evocar esta equação estabelecida por Constant entre liberdade e felicidade.

 

Mill começa por analisar a evolução do conceito de liberdade ao longo da história. Segundo ele, os governantes exerciam o poder sem se preocuparem com os governados, pois viam-se como melhores, e/ou mais preparados, que a restante população, que vivia sem opinar, por exemplo, sobre questões políticas.

 

A “autoridade” ou a “supremacia” dos governantes não era contestada, pois nem se aventuravam a desejar contestá-la. Diante disso, Mill dá exemplos de manifestações de liberdade, como a dos “patriotas” que buscavam “pôr limites ao poder” e o “estabelecimento de freios constitucionais”, que era quando uma representação popular devia estar presente nas decisões políticas mais importantes.

 

Depois, com a ideia de democracia, as pessoas pensaram que poderiam limitar o poder em si, pois os governantes seriam substituídos em intervalos de tempo pré- estabelecidos, atendendo assim à vontade ou interesses do povo; neste ponto, entra o princípio da utilidade, pois a democracia só tem sentido se atende ao bem-estar comum. Mas, um “governo popular” pode ser só um “sonho” e o povo pode ser manipulado por “usurpadores”, fazendo com que seja posta em prática não a vontade de toda a sociedade, mas a de alguns ou da maioria activa. Assim, a democracia, hoje espalhada em grande parte pelo mundo, está sujeita à disfuncionalidade, críticas e erros, assim como afirma o autor: “o sucesso revela defeitos e fraquezas que o insucesso poderia ter ocultado à observação”.

 

Sobre a democracia, o autor comenta ainda o significado de “vontade do povo”, que pode ser interpretado apenas como a vontade de uma maioria activa (um partido político, por exemplo), ou seja, não atende necessariamente a todos, tratando-se de um caso de “abuso de poder”, onde uns procuram “oprimir” os outros - Mill denomina-o de “tirania do maior número” e também de “tirania da opinião” - a qual seria uma tendência da sociedade em impor as suas ideias para que não surja nenhuma opinião individual que não esteja em sintonia com suas metas.

 

Mill afirma: “Há um limite à legítima interferência da opinião colectiva com a independência individual. E achar esse limite é indispensável tanto a uma boa condição dos negócios humanos como à protecção contra o despotismo político”.

 

Para Mill, não existe governo bom meramente pelo facto de estar em “inteira harmonia com o povo”, pois pode haver um governo “nocivo” mesmo “quando exercido de acordo com a opinião pública”, dado que ela pode trocar a verdade pelo erro e vice-versa. É necessário que haja sempre uma discussão a respeito dos problemas para que o homem busque as melhores decisões, pois do facto de “todos os homens menos um” ter certa opinião não significa que este esteja errado. O mesmo vale no caso da minoria frente à maioria do povo. Além disso, segundo Mill, é um “mal específico”, para as “gerações presentes” e para a “posteridade”, a acção de “impedir a expressão de uma opinião”, pois ela inviabiliza a “oportunidade de trocar o erro pela verdade”, quando a “opinião é certa”, ou “a percepção mais clara e a impressão mais viva da verdade”, quando a opinião é “errónea”.

 

Neste sentido, é muito importante o exercício do senso crítico, pois o mesmo faz-nos repensar as nossas opiniões, compará-las com outras e fundamentá-las. O autor comenta que nenhum sábio adquiriu sabedoria de outra forma. Além disso, depois que uma opinião é formada, ainda é necessário colocá-la em prática. Contudo, uma opinião pode ter diversas utilidades. Inclusive, para Mill, “a utilidade de uma opinião é ela própria matéria de opinião: tão disputável, tão aberta a debate, exigindo tanto debate, como a própria opinião”. Com isso, surge também a relação da utilidade e da verdade, pois nem sempre uma afirmação para ser útil precisa ser verdadeira (no sentido individual e egoísta: afinal, ela pode ser útil para mim, mas prejudicar outro alguém, quando se trata de uma mentira); mas, sendo ela verdadeira, por si só já é útil.

 

Para o autor, para que haja o bem-estar humano é necessário que as pessoas não se atenham apenas a uma opinião, por exemplo, acerca de assuntos religiosos, morais e políticos, mas sim busquem ouvir todas as partes e procurem a possível parcela de verdade contida em cada uma delas. Para Mill, “raramente, ou nunca”, uma opinião é a “verdade inteira”, isto é, tem apenas parte da verdade; com isso, assumir apenas uma opinião seria negar as possíveis outras partes da verdade contidas em outras opiniões.

 

Para Mill, a liberdade de cada indivíduo deve ser assegurada, a fim de que todos possam expressar as suas opiniões, mas esta liberdade envolve limites, pois não pode lesar os mesmos direitos à liberdade de opinião de outras pessoas. A subjectividade individual deve ser reconhecida, apesar dos possíveis modos comuns de pensamento, ou seja, a pessoa tem direito de ter uma opinião contrária da maioria, mas a manifestação desta opinião pessoal pode gerar conflitos. A espontaneidade, contudo, não era e é vista com bons olhos pela “maioria dos reformadores sociais e morais”, pois a consideram perigosa, mas é necessária para a própria formação do pensamento colectivo, segundo Mil. É necessário estimular e cultivar a individualidade, pois tendo mais valor para o indivíduo, acaba tendo mais valor para toda a sociedade.

 

O autor dá o exemplo das pessoas que a partir das suas concepções individuais assumiram atitudes e tomaram posições diferentes da grande maioria, e que por isso foram excluídas e rotuladas de “extravagantes e excêntricas” pela opinião comum. Mas, segundo Mill, para que haja desenvolvimento humano e progresso é necessário que haja tal individualidade e, assim, a respectiva liberdade de expressão.

 

Até onde vai a liberdade do indivíduo em relação à sociedade? Onde começa a autoridade da sociedade sobre o indivíduo? Conforme Mill, o indivíduo é livre até que sua liberdade interfira na liberdade de outro (ou seja, ela não pode ser nociva); a liberdade de expressão e de opinião deve servir para o bem-estar comum (princípio da utilidade), e quando esta liberdade não fere a de outros, deve ser assegurada por lei. Quando essa liberdade individual causa danos ao bem comum, então, deve ser limitada pela sociedade ou pelo Estado.

 

Mas, o mesmo pode ser dito com relação à liberdade de imprensa? Até que ponto a liberdade de imprensa interfere na liberdade do indivíduo? Será que cabe ao Estado ou à sociedade intervir na liberdade de expressão e/ou de imprensa? Também na questão da liberdade de propaganda, por exemplo sobre as bebidas alcoólicas e os cigarros, ou no que se pode ou não comprar? Sim, essas são questões que podem exigir distintas interferências do Estado ou da sociedade.

 

Para Mill, deve-se ter cuidado para não violar a liberdade individual, sobretudo na esfera privada, mas, quando essa liberdade se torna pública, afectando os outros indivíduos, o Estado deve exercer um “controle vigilante”.

 

Por fim, o autor faz algumas objecções à interferência governamental ou social nas questões de negócios e de limitação do poder, e afirma que “o valor de um Estado, afinal de contas, é o valor dos indivíduos que o constituem”. O mal começa quando os governantes trocam os interesses da sociedade pelos seus.

 

De Ana

Pág. 3/3