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Blogue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

Blogue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

...

And nothing is written in the book, reality is made by you

And every lie that you pursue, eventually turns true

And I was told that your eyes would shine a light up into space

And infinity would then consume this ordinary place

 

 

- Muitos vêm como principal vantagem em ter muito dinheiro a liberdade, o poder, que ele, supostamente, dá para fazerem isto, comprarem aquilo e outras merdas desse género... mas eu, eu (pausa, elevando o olhar, numa coisa rasteira), pelo meu lado, só vejo no dinheiro a Liberdade de a todos poder dizer que se fodam. Percebe-me? Fui claro, doutor?

- Penso que sim.

 

Ernesto Silva, 76 anos, Gondomar. (VIII, 2019)

 

 

...

 

 

Quantos mortos são necessários para fazer um que viva?
Quantos "nós", de dentro, matámos, para que o eu, de fora, vivesse?
Feito de fantasmas, o eu, deste instante, um eco de ego,
Pois não sou o que fui,
nem serei, o que sou.
Quem sou, já passou.

...

Head trash, mind stink
Don't think, burn now
Clean mind, kill time
Black cloud, burn now
Tight rope, neck choke
Take hope, burn now
Mind scan, flat land

 

O primeiro humano formulou, em primeiro lugar, o fim da sua vida, e só depois o fim do mundo. E rala-se com este, porque se importa com aquele. Houvesse fim do mundo, sem fim da vida, e não haveria grande estribilho, ou estrondo.

Os equilíbrios existem, resultando de velhos desequilíbrios. O que é "chato" é se como pagamento do novo desequilíbrio é-nos exigido um horizontal e permanente equilíbrio.

Essa visão, recente, da inevitabilidade da extinção de determinadas espécies animais, explicada pelas alterações climáticas,  e aceite, porque inserida, na fatalidade das normais dinâmicas ctónicas é estulta, pois recorrendo-me da mesma lógica, poderia aplicá-la a temas mais sérios, como a destruição, a doença, a morte e o sofrimento, velhos amigos da vida. A questão é, se o que existe, e existiu naturalmente, é justificação para que continue a existir (onde estaríamos, hoje, se nisso acreditássemos?). A questão é, também, se devemos avaliar o que é, ou não, moral, pelo crivo do que é, ou não, natural.

Perguntaram-me, certa vez, que  "sendo a moral uma construção exclusivamente humana, não seria inglório querer adicional moral à natureza?" Respondi que "a partir do momento em que fitámos a doença, em que decidimos que os fracos, os frágeis, deveriam viver e reproduzir-se, tornamos imoral, a indiferença natural.

 

 

 

 

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