Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Blogue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

Blogue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

...

99ae8c82-1596-11e7-946e-b95d6530652a.jpg

 

 

Há algo de sarcástico no sistema económico em que vivemos.

A sua lógica produtiva assenta em dois factores interligados e perversos, tornando quase impossível que alguém fuja, ou se proclame inocente, perante a imoralidade evidente.

Em consequência dos baixos salários, os consumidores, muitos deles informados, outros desconfiados sobre as condições em que são produzidos os seus bens de consumo, legitimam, sem quererem, o pérfido sistema, em consequência da perda da sua liberdade económica.

Ao sermos impelidos para as "coisas" baratas, provenientes de países pobres, de gente barata, sem qualquer legislação laboral, ambiental, ou social, entra-se no "esquema", tornando-nos alvos fáceis, daqueles que, pretendendo a imortalidade da imoralidade, nos acusam de hipocrisia, quando decidimos protestar contra um "estilo de vida" que é, obrigatoriamente, também o nosso. 

 

...

 

 

Os actos mais bravos, heróicos, que nos fazem menos animais, baseiam-se, quase sempre, em critérios que não são utilitários, materiais, ou seja ditados pela calculista razão. Assim, em jeito de paradoxo, somos tanto mais humanos, mais dignos de exemplo, quanto mais pomos de lado essa mesma razão de que tanto nos orgulhamos.

...

 

"Devagarinho" , mas de forma continuada, as questões ambientais entraram no discurso político e na consciência das pessoas, sobretudo nas mais novas, cada vez mais preocupadas. Por vezes as formas de protesto, escolhidas por estes, não são as mais adequadas mas, bolas, falamos em jovens e é normal um certo exotismo nas suas manifestações. Contudo fazem mais do que o silêncio parado, resignado, dos mais velhos.

 

Sobre a acção humana, há que confiar na opinião da esmagadora maioria dos melhores especialistas em Ambiente, à semelhança do que fazemos quando vamos ao médico. Ouvimos, perguntamos quando temos alguma dúvida, mas não questionamos o diagnóstico e tratamento por ele prescrito, com base em "achismos" pseudocientificos.

Irónico , como muitos daqueles que criticam os movimentos anti-vacinas, em nome da verdade científica, são frequentemente os mesmos que, perante o mesmo conhecimento científico aplicado às questões ambientais, o desvalorizam. A humanidade enfrenta uma urgência. E perante esta urgência, quando alguém faz algo surge sempre algum , de algum buraco, criticando, dizendo que tal medida "não serve para nada" , "é simbólica, para inglês ver" , ou então "estes gajos são uns extremistas. Uns alarmistas". Diria que extrema é a situação actual que ameaça todo o planeta e a sobrevivência de milhões de pessoas.

 

Penso que nisto, "do ambiente" , não há já argumentos racionais, científicos, que façam mudar os negacionistas. Estes baseiam-se em irracionalismos demênciais, como os adeptos dos movimentos anti-vacinas, ou os Testemunhas de Jeová.

...

 

 

 

O Partido Livre, de Rui Tavares, apresentou, como cabeça de lista, para as legislativas, por Lisboa, uma “mulher, afrodescendente e gaga”.

Parece-me que o Livre cavalga a onda do politicamente correcto, usando as fragilidades, as fraquezas, as "deficiências" dos outros com propósitos eleitoralistas. Nojo.

A continuarmos assim iremos, um dia, votar não por paixão, pelo país, mas por compaixão, pelo candidato.

...

contradicoes-humanas-8.jpg

 


Nos últimos séculos, a maioria dos humanos, tem-se concentrado num tipo específico de habitat, as cidades, constitutivas de um ecossistema, por assim dizer, desligado do mundo natural (90% da população mundial vive, hoje, num raio de 160km da costa marítima). Este cisma reforçou-se, posteriormente, com o surgimento e instrumentalização do conhecimento científico. Um Saber que visou, algum tempo após a sua descoberta, a manipulação, o domínio do mundo exterior, seguindo, comummente, desejos voláteis, critérios inaturais, destrutivos, que não conduziram, quer a uma melhor compreensão do lugar que ocupamos na Terra, quer a uma melhor integração no mundo natural.

Simultaneamente os tais ecossistemas artificiais, criaturas do Homem, têm mudado a natureza do seu próprio criador, através de novas pressões selectivas, estrangeiras ao mundo natural, provenientes dessa nossa rica e complexa imaginação (no início a obra nascia do sonho. Hoje, do sono acordado).

A Evolução do Homem persiste, nada a deterá, embora, como disse, sob novos critérios selectivos, desligados da original Selecção Natural, que fluem sobre vagas em voga, nas vontades à tona de marés baixas, fragilizantes da condição, identidade e consciência humanas, porque desconectadas do mundo de fora, desse mundo, nascido há 4,5 biliões de anos, real e concreto.

Imaginamos, consequentemente, cada vez mais o que vemos.
Como resultado deste novo (des) conhecimento, desta nova Selecção, eis-nos perante um Homem Novo, desenhado às escuras, à revelia, do Ser natural, tomando como real, necessidades virtuais, misturando o que é com o que imagina ser , ou com o que gostava que fosse.

A civilização, a ciência têm inequivocamente diminuído a dependência do Homem, da Selecção Natural, tendo, por outro lado, incontestavelmente, aumentado, sobre ele, a Pressão Selectiva Artificial /Cultural /Ideológica. Considerando que as instituições culturais são, na maioria das vezes, invenções, representações inexactas do natural, quando não tentativas de fuga sem direcção de uma realidade sem sentido, a cultura moderna leva-nos a um labirinto existencial, teleológico e ontológico (atente-se no movimento transgénero, por exemplo) porque, conseguindo convencer-nos sobre o que não somos, não consegue explicar-nos quem somos.

Julgo haver aqui motivo para várias questões:

Em termos de contribuição para o fortalecimento da nossa capacidade adaptativa, será melhor a pressão crua da verdade (a da Selecção Natural), ou aquela delirante, anestesiante, quando não grotesca, da Selecção Artificial? A resposta surge-me evidente.

Nessa fuga existencial, do natural, para o artificial, criámos novas mitologias, para que mais fácil nos fosse crer na fantasia inventada, tornando mais verosímil a mentira contada.
Tristemente, passámos a acreditar mais no que sabemos não ser, compreendendo cada vez menos,  porque julgando cada vez mais.

Ouçamos o admirável homem, desse mundo novo, onde as pressões selectivas deram lugar às  depressões colectivas:

"Nunca sentiu o bolso vibrar, como se tivesse recebido uma chamada ou uma mensagem, para depois descobrir que era um falso alarme? Os especialistas chamam-lhe nomofobia, o medo de ficar sem telemóvel. Quase metade dos utilizadores admitem que já não conseguem imaginar uma vida sem ele".

A alegria de hoje, é um exorcismo de choro.

...

 

When I was young

I was the nicest guy I knew

I thought I was the chosen one

But time went by

And I found out a thing or two

My shine wore off as time wore on

 

I thought that I was living

Out the perfect life

But in the lonely hours

When the truth begins to bite

I thought about the times

When I turned my back and stalled

I ain't no nice guy after all

 

When I was young

I was the nicest guy in town

I thought I had it down for sure

But time went by

And I was lost in what I found

The reasons blurred, the way unsure

 

I thought that I was living

Life the only way

But I saw that life was

More than day to day

I turned around

I read the writing on the wall

I ain't no nice guy after all

I ain't no nice guy after all

 

In all the years you spent

Between your birth and death

You find there's lots of times

When you should have saved your breath

It comes as quite a shock

When that trip leads to the fall

I ain't no nice guy after all

I ain't no nice guy after all

 

When I was young

I was the nicest guy I knew

I thought I was the chosen one

But time went by and

I found out a thing or two

My shine wore off as time wore on

 

I thought that I was living

Out the perfect life

But in the lonely hours

When the moon's the only light

I thought about the times

I turned my back and stalled

I ain't no nice guy after all

I ain't no nice guy after all

(RIP, Lemmy)

 

...

 

 

Lembrando Darwin, os mais aptos sobrevivem não por serem os mais fortes, ou os mais inteligentes, mas por serem os que mais facilmente se adaptam às mudanças ambientais do seu habitat.
Assim as espécies animais menos especializadas apresentam uma desvantagem competitiva, em habitats estáveis, quando competem com outras muito especializadas (ex: cavalo vs camelo, no deserto). Contudo se o ambiente sofrer alterações, repentinas e/ou drásticas, as espécies altamente especializadas, serão as mais vulneráveis a uma extinção, ao contrário das outras, que não se tendo especializado (ex: omnívoras vs carnívoras estritas), excessivamente, apresentam maior flexibilidade de adaptação, de resposta, às novas pressões selectivas.

Penso que o ser humano, com o passar dos milénios, se tornou um animal muito especializado, levando essa especialização a uma perda de autonomia individual, acompanhada, simultaneamente, de uma crescente dependência das coisas que, criadas por ele, o substituem (especialização do saber vs interligação dos vários saberes; saber muito de pouco, e pouco de muito). Ironicamente o Homem tem, assim, desaprendido por ter aprendido, bem, a fazer as mais engenhosas máquinas . Um dia que as não possa fazer, ou que seja obrigado a adaptar-se a novas condições exteriores, dele não dependentes, fá-lo-á lentamente, na melhor das hipóteses. A questão não será, assim, tanto a sobrevivência da nossa espécie, mas o número dos que perecerão, inutilmente, em consequência dessa lentidão, dessa dificuldade de adaptação, típica, dos animais altamente especializados.

...

por-que-os-tigres-dente-de-sabre-foram-extintos-66

 

Os ecossistemas determinam a frequência, a predominância, das diferentes espécies animais. Mas também existe influência, sobre os ecossistemas, dessas mesmas espécies animais. Ou seja, há uma interdependência entre ambos. Embora reinante, num determinado ecossistema, o sucesso de uma espécie animal, sobre outras, pode submeter o habitat, onde vive, a uma pressão ecológica conducente à sua própria extinção. Ou dito de outra forma: A Perfeição de uma estratégia de sobrevivência pode levar à Extinção de todas as outras. Obviamente que isto é uma simplificação, mas serve para demonstrar que as preocupações ambientais humanas devem ter em conta a sobrevivência dos outros animais, os diferentes ecossistemas , porque destes depende a nossa existência. Há quem contradite esta científica evidência, jurando não ser o Homem deste mundo. 

...

shutterstock_1104878465-1.jpg

 

A nossa ideia de Perfeição, de Beleza, parece-me derivar, para além da harmonia da forma, da consciência da Transitoriedade (seja de quem, ou do que se experiencia) . Assim a Beleza não se desvanece no abismo do Tempo. É nele que ela nasce. Um passado que não passou, um instante que ficou. 

 

 

 

...

crono.jpg

 

 

O amor e um estalo

O filho a cair-lhe nos braços e o seu amor a estalar-lhe no peito, de tão imenso rasgando-lhe o coração e o mundo. Descobriu, mais do que decidiu, ser agora daquela coisa minúscula e engelhada que chorava e cheirava a sangue, ao seu sangue, que lhes corria no corpo e ainda o cobria.

Deu-lhe pela noite peito e atenção, dorme, filho, foi-se embora o papão.

Contou-lhe os passos prendendo-o em si, vem, filho, a mãe está aqui.

Afagou-lhe maldades e enganos da rua, a culpa sei, filho, não pode ser tua.

Limpou-lhe lágrimas mais leves por hora, não chores, filho, que um homem não chora.

Tirou-lhe as canseiras de homem-criança, deixa que eu faço, filho, descansa.

Embalou-lhe os azares que não sortes do amor, esquece, filho, tens direito a melhor.

Sofreu-lhe as derrotas num alento incansado, anda, filho, o mundo é malvado.

Ouviu-lhe a palavra gritada, ruim, tem calma, filho, não fales assim.

Percebeu-lhe a fúria agitando-lhe a mão, cuidado, filho, que caio ao chão.

O punho a cair-lhe no peito e o seu amor a estalar-lhe os braços, de tão imundo rasgando-lhe o coração imenso. Descobriu, mais do que sentiu, ser agora aquela coisa minúscula e engelhada que chorava e cheirava a sangue, ao seu sangue, que lhe escorria do corpo e já a cobria.

De Sarin

...

You'll see your problems multiplied

If you continually decide

To faithfully pursue

The policy of truth

 

Há muitos que tomando a Liberdade como Princípio, ficam, no final, sem ela. E há também outros que só ficam livres no final disto tudo.

Pág. 1/3

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais visitados

  • A Fluidez do Tempo

    12 Novembro, 2019

     

  • 09 Novembro, 2019

      Em preparação para a subida ao Marão (1416 metros de altitude). A corrigir : 1) (...)

  • A régua da vida.

    07 Novembro, 2019

    A Morte é a medida de todas as coisas.  

  • 30 Outubro, 2019

    Vale a pena ouvir , nem que seja, apenas, para ver as "caras de parvo" dos "membros" do (...)

  • 23 Outubro, 2019

      "É frequente desencadearem-se as verdadeiras tragédias da vida de uma maneira tão pouco (...)

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D