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Blogue de Alterne

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Setembro 30, 2019

Vorph Valknut

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Há algo de sarcástico no sistema económico em que vivemos.

A sua lógica produtiva assenta em dois factores interligados e perversos, tornando quase impossível que alguém fuja, ou se proclame inocente, perante a imoralidade evidente.

Em consequência dos baixos salários, os consumidores, muitos deles informados, outros desconfiados sobre as condições em que são produzidos os seus bens de consumo, legitimam, sem quererem, o pérfido sistema, em consequência da perda da sua liberdade económica.

Ao sermos impelidos para as "coisas" baratas, provenientes de países pobres, de gente barata, sem qualquer legislação laboral, ambiental, ou social, entra-se no "esquema", tornando-nos alvos fáceis, daqueles que, pretendendo a imortalidade da imoralidade, nos acusam de hipocrisia, quando decidimos protestar contra um "estilo de vida" que é, obrigatoriamente, também o nosso. 

 

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Setembro 30, 2019

Vorph Valknut

 

 

Os actos mais bravos, heróicos, que nos fazem menos animais, baseiam-se, quase sempre, em critérios que não são utilitários, materiais, ou seja ditados pela calculista razão. Assim, em jeito de paradoxo, somos tanto mais humanos, mais dignos de exemplo, quanto mais pomos de lado essa mesma razão de que tanto nos orgulhamos.

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Setembro 29, 2019

Vorph Valknut

 

"Devagarinho" , mas de forma continuada, as questões ambientais entraram no discurso político e na consciência das pessoas, sobretudo nas mais novas, cada vez mais preocupadas. Por vezes as formas de protesto, escolhidas por estes, não são as mais adequadas mas, bolas, falamos em jovens e é normal um certo exotismo nas suas manifestações. Contudo fazem mais do que o silêncio parado, resignado, dos mais velhos.

 

Sobre a acção humana, há que confiar na opinião da esmagadora maioria dos melhores especialistas em Ambiente, à semelhança do que fazemos quando vamos ao médico. Ouvimos, perguntamos quando temos alguma dúvida, mas não questionamos o diagnóstico e tratamento por ele prescrito, com base em "achismos" pseudocientificos.

Irónico , como muitos daqueles que criticam os movimentos anti-vacinas, em nome da verdade científica, são frequentemente os mesmos que, perante o mesmo conhecimento científico aplicado às questões ambientais, o desvalorizam. A humanidade enfrenta uma urgência. E perante esta urgência, quando alguém faz algo surge sempre algum , de algum buraco, criticando, dizendo que tal medida "não serve para nada" , "é simbólica, para inglês ver" , ou então "estes gajos são uns extremistas. Uns alarmistas". Diria que extrema é a situação actual que ameaça todo o planeta e a sobrevivência de milhões de pessoas.

 

Penso que nisto, "do ambiente" , não há já argumentos racionais, científicos, que façam mudar os negacionistas. Estes baseiam-se em irracionalismos demênciais, como os adeptos dos movimentos anti-vacinas, ou os Testemunhas de Jeová.

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Setembro 25, 2019

Vorph Valknut

 

 

 

O Partido Livre, de Rui Tavares, apresentou, como cabeça de lista, para as legislativas, por Lisboa, uma “mulher, afrodescendente e gaga”.

Parece-me que o Livre cavalga a onda do politicamente correcto, usando as fragilidades, as fraquezas, as "deficiências" dos outros com propósitos eleitoralistas. Nojo.

A continuarmos assim iremos, um dia, votar não por paixão, pelo país, mas por compaixão, pelo candidato.

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Setembro 25, 2019

Vorph Valknut

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Nos últimos séculos, a maioria dos humanos, tem-se concentrado num tipo específico de habitat, as cidades, constitutivas de um ecossistema, por assim dizer, desligado do mundo natural (90% da população mundial vive, hoje, num raio de 160km da costa marítima). Este cisma reforçou-se, posteriormente, com o surgimento e instrumentalização do conhecimento científico. Um Saber que visou, algum tempo após a sua descoberta, a manipulação, o domínio do mundo exterior, seguindo, comummente, desejos voláteis, critérios inaturais, destrutivos, que não conduziram, quer a uma melhor compreensão do lugar que ocupamos na Terra, quer a uma melhor integração no mundo natural.

Simultaneamente os tais ecossistemas artificiais, criaturas do Homem, têm mudado a natureza do seu próprio criador, através de novas pressões selectivas, estrangeiras ao mundo natural, provenientes dessa nossa rica e complexa imaginação (no início a obra nascia do sonho. Hoje, do sono acordado).

A Evolução do Homem persiste, nada a deterá, embora, como disse, sob novos critérios selectivos, desligados da original Selecção Natural, que fluem sobre vagas em voga, nas vontades à tona de marés baixas, fragilizantes da condição, identidade e consciência humanas, porque desconectadas do mundo de fora, desse mundo, nascido há 4,5 biliões de anos, real e concreto.

Imaginamos, consequentemente, cada vez mais o que vemos.
Como resultado deste novo (des) conhecimento, desta nova Selecção, eis-nos perante um Homem Novo, desenhado às escuras, à revelia, do Ser natural, tomando como real, necessidades virtuais, misturando o que é com o que imagina ser , ou com o que gostava que fosse.

A civilização, a ciência têm inequivocamente diminuído a dependência do Homem, da Selecção Natural, tendo, por outro lado, incontestavelmente, aumentado, sobre ele, a Pressão Selectiva Artificial /Cultural /Ideológica. Considerando que as instituições culturais são, na maioria das vezes, invenções, representações inexactas do natural, quando não tentativas de fuga sem direcção de uma realidade sem sentido, a cultura moderna leva-nos a um labirinto existencial, teleológico e ontológico (atente-se no movimento transgénero, por exemplo) porque, conseguindo convencer-nos sobre o que não somos, não consegue explicar-nos quem somos.

Julgo haver aqui motivo para várias questões:

Em termos de contribuição para o fortalecimento da nossa capacidade adaptativa, será melhor a pressão crua da verdade (a da Selecção Natural), ou aquela delirante, anestesiante, quando não grotesca, da Selecção Artificial? A resposta surge-me evidente.

Nessa fuga existencial, do natural, para o artificial, criámos novas mitologias, para que mais fácil nos fosse crer na fantasia inventada, tornando mais verosímil a mentira contada.
Tristemente, passámos a acreditar mais no que sabemos não ser, compreendendo cada vez menos,  porque julgando cada vez mais.

Ouçamos o admirável homem, desse mundo novo, onde as pressões selectivas deram lugar às  depressões colectivas:

"Nunca sentiu o bolso vibrar, como se tivesse recebido uma chamada ou uma mensagem, para depois descobrir que era um falso alarme? Os especialistas chamam-lhe nomofobia, o medo de ficar sem telemóvel. Quase metade dos utilizadores admitem que já não conseguem imaginar uma vida sem ele".

A alegria de hoje, é um exorcismo de choro.

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