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Blogue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

Blogue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

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You wear guilt Like shackles on your feet Like a halo in reverse I can feel The discomfort in your seat And in your head it's worse There's a pain A famine in your heart An aching to be free Can't you see All love's luxuries Are here for you and me And when our worlds They fall apart When the walls come tumbling in Though we may deserve it It will be worth it Bring your chains Your lips of tragedy And fall into my arms And when our worlds They fall apart When the walls come tumbling in Though we may deserve it It will be worth it

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Lembrei - me a propósito de coisa alguma de uma breve história infantil. Certo dia o meu avô trouxe pela ponta de um cordel um borreguinho. Alvo como a neve, fofo como algodão. Passado tempo ganhei-lhe certa afeição. Parecia um cão, seguindo-me sem prestar qualquer atenção. Eu, então, dava-lhe erva à mão. "Vais chamar - te João" . Uma noite, vindo de um passeio antigo, não vi o meu cândido amigo. Seria decerto do negrume da noite, pensei . Subi. Jantei. No final do delicioso repasto, o meu querido avô perguntou - me se tinha gostado, pois com esmero o tinha arranjado. Agradeci - lhe, sorrindo , dizendo que pena era mais já não haver. O meu avô, jubiloso, afagando - me com as suas rubras mãos, prometeu-me: Amanhã iremos à feira e compraremos um novo amigo.

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Acredito que, no passado, se escrevesse melhor, mas descreio que se pensasse melhor. Palavras nossas, em pensamentos estrangeiros. Foi e é assim a nossa intelectualidade.

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Não deixo de meditar que a vida de um Homem decide-se, por vezes, numa escolha que se alonga num instante. Frequentemente sem palavra, ou gesto. Num ficar de cama. E que a genialidade, a heroicidade, reconhecida em Panteões, é frequentemente a representação de um sacrifício humano, em nome de vidas alheias, pequenas. Ao génio que assim não viveu, resta-lhe a imortalidade, insensível, do bronze.

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Em memória de Silva Porto

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Incumbido pelo governo português, sob a tutela de D. Luís I (1861-1889), foi encarregado de pacificar tribos e pôr um fim às injustiças sociais a que se submetiam os nativos africanos . A isso e aos iminentes perigos de invasão estrangeira, solicitou ajuda da corte para uma intervenção militar na região. Não atendido, fez-se agricultor, formando uma grande fazenda no Bié (Belmonte) e outra próximo a Benguela. Regressou a Portugal para negociar e assim que retornou a África, viu as suas propriedades incendiadas. Foi nomeado capitão-mor da região, realizando grandes esforços para assegurar o prestígio das autoridades portuguesas ante as invasões de outros países europeus e as ameaçadoras tendências da política nativa, manipulada pelas Potências Colonialistas Europeias. Velho, empobrecido, exausto, mas extremamente patriota , esperava que chegassem recursos e reforços para que Portugal não sofresse grandes humilhações. Mas essa ajuda nunca chegou. A metrópole sofria uma transição política, com a posse de D. Carlos I (1889-1908). A situação tornou-se cada vez mais tensa e percebendo o seu abandono e o desinteresse da Pátria pelos sacrifícios feitos em nome de Portugal, numa madrugada, levantou-se, embrulhou-se na bandeira portuguesa, sentou-se sobre um barril de pólvora e ateou fogo, fazendo-se explodir. Decidiu fazer da sua morte um libelo acusatório à pátria, que perdurasse na tempo.

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"É um fenómeno curioso: o país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disto. Falta-lhe o romantismo cívico da agressão. Somos, socialmente, uma colectividade pacífica de revoltados"

Miguel Torga

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Portugal é um desvario histórico. A inquietação nacional, esse fado negro, resulta da ficção ensinada nas escolas, a propósito dum mítico passado, contrastado, depois, com a férrea e injuriosa realidade. Portugal é um roça inventada , novela de cordel , partida dos Lusíadas - inspirado e copeado, pelo zarolho, da obra maior de Virgílio , até à História, cafona, de Ameal, bulida pelo canguinhas. Portugal é um risco, um riso desdentado. Apraz - nos mais o fraco aceno da despedida, do que o franco abraço de boas vindas. Que escrita, que pensamento tão português, o meu.

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O campo, a floresta, o isolamento, são para mim como escolas de reabilitação, onde redescubro, no meio de um quase nada, na ausência de quase tudo, o fundamental. Porque tornamos a vida tão complicada, tão dolorosa? Se a vida não tem caminho, porque razão nos damos tantos lamentos? É na solitude, entre-montes, que reaprendo a respirar, inspirando sem suspirar.

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Hoje, no Metro.

The Meaning of Existence, de Les Murray. Everything except language knows the meaning of existence. Trees, planets, rivers, time know nothing else. They express it moment by moment as the universe. Even this fool of a body lives it in part, and would have full dignity within it but for the ignorant freedom of my talking mind.

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Nos armazéns Harrods e noutras faustosas lojas são frequentes as clientes tapadas de burka, acompanhadas pelos senhorios , sem mostras de vergonha, ou arrependimento . Pergunto-me onde, ou quando, mostrarão esses ricos aparatos? Não leram, no Corão, as várias suras acusatórias sobre o pecado de tamanha vaidade e luxúria? O mesmo Corão, omisso sobre a obrigação de tais ominosas vestimentas?

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