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Blogue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

Blogue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

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Nós, os humanos, não somos animais para servir a nossa natureza. Somos animais, singulares, que fazem da superação da sua animalidade o seu propósito. Lutamos, assim, de olhos postos nos céus contra os limites impostos pela gravidade terrestre. E criamos, lá em cima, deuses, não com o objectivo de os servir, mas com o intento de nos libertarmos, por eles, de nós mesmos.

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O Trabalho como o "Pilar da Dignidade humana".

Esta visão, sobretudo burguesa/capitalista, nasceu suponho, no Renascimento com o propósito moral de enfraquecer uma estrutura de dominio social liderada pelo clero e nobreza (proprietária e capitalista, no antigo significado do termo - gerar riqueza pela detenção de propriedade e não através do trabalho). Lembremo-nos que o Trabalho, até então ( e hoje, não?) sempre foi considerado punição, justificada desde a expulsão de Adão e Eva do Paraíso. 

 

Eclesiastes 2: 11,19

Contudo, no momento em que passei a examinar tudo o que as minhas mãos haviam produzido e o trabalho que eu tanto me esforçara com alegria para realizar, compreendi que, na verdade, tudo não passava de vaidade, um inútil e enorme vazio, como correr atrás do vento; ou seja, não há qualquer valor real, nada útil, em tudo o que se faz debaixo do sol.…



Penso que as maiores conquistas culturais, em sentido lato, derivam da ociosidade de uns, à custa do "trabalho" de outros. E enquanto estes últimos acreditarem que o trabalho é o pilar da dignidade humana, não se darão conta dos limites das suas gaiolas, bem como da pequenez das suas vidas ( ao quem ésés, responderão com o que fazem).

A dignidade humana, recuperada, é a fuga das malhas da necessidade, da obrigação, do castigo representado pelo trabalho. É sermos donos do nosso tempo, sem tempo para o tempo dos outros.

 

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O presente é um passado sofisticado. Nada mais, nada menos.

O mundo nunca foi melhor, ou pior. Os valores morais são instrumentos de controlo para que os simples acreditem na justiça de um sistema social de dominância, que sempre foi desigual.

Progredimos atrás dos criadores de valores, dos que decidem avançar para lá do bem e do mal. Somos herdeiros dos destruidores de mundos.

Os insatisfeitos com o espaço das cavernas, simbólicas, são os que ousam amarrotar as regras postas de guarda à entrada de qualquer buraco.

 

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Talvez a minha primeira aula de música (1991).

"I don't question our existence,I just question our modern needs"

Para os que vêem na existência um somatório de botões e alavancas, pressionadas por motivações materialistas (viver, reproduzir), como explicar que o meu corpo me tenha fugido quando a ouvi?

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