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Blogue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

Blogue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

18 Jan, 2019

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Lembro-me de um homem singular, pela maneira como pensava e vivia. Talvez, que sobre si não pensasse em demasia e aí estivesse a sua sabedoria. Chamava-se Baltazar, como o Mago. De trinta e muitos, baixo, de cores rosadas, de sorriso perene numa forma redonda. Pintor e carpinteiro, mas capaz de fazer, bem ou mal, um sem número de outras coisas, vivia, ou melhor dormia, com o derrotado pai, numa casa cabida numa cama. Mas bastava-lhes. Como vos ia dizendo, nunca conheci homem igual. E se calhar, não só eu, catraio na altura, mas também os outros, maiores, que com ele tiveram trato. Bom profissional, mas nada pontual, tornava-se às vezes missão bizarra encontrá-lo porque, após concluído um trabalho e tendo amealhado algum dinheiro, tinha como vocação evanescer. Fascinava-me, dito personagem, pela liberdade, pela desatenção que punha no viver, como se possuidor de uma sabedoria adiantada, ignorada dos demais. Teria eu, o quê? Catorze anos?! Já não me recordo bem. Recordo-me, contudo, de um dia, à tardinha, após ter concluído um trabalho na casa dos meus pais, o ter acompanhado de bicicleta no seu caminho de regresso a casa. Havia ainda uma luz crepuscular acidental. Presumo que estaríamos no Outono. Ou seria Inverno? Eu contornava-o de bicicleta, para melhor ouvir o que me ia dizendo. Ele empurrando um carrinho de mão onde deitava o pouco que trazia. Dizia-me, o Sr. Baltazar, que durante o fim de semana iria "cortar" um carro pela metade, aproveitando-lhe a parte de cima para fazer um barco (não entendi como diabos ele conseguiria de um carro, fazer um barco). Depois pôr-se-ia a caminho de um grande lago, não levando, mais nada, senão uma cana de pesca, um cobertor, e o dito barco de chapa. Ia ler as estrelas, viver nas margens. Perguntou-me se já tinha visto o céu, no breu. Eu sabia lá disso, vivia na cidade, sendo que os sítios que melhor conhecia eram deste e não doutro mundo. Aliás o meu mundo era do tamanho de um quarto, não de lua, mas de dormir. Ele ria-se. Mas era isso que fascinava. A felicidade advinda das coisas que mais ninguém dava conta (teria ele mais anos do que idade?). Encantava-me não só a mim, imberbe, mas também os graúdos que durante meses perguntavam pelo "Baltazar", querendo dele trabalho (não serão todos os sábios, loucos carismáticos?), ou se calhar, quem sabe, só vê-lo.
Talvez, bem lá no fundo, todos soubéssemos estar ele por margem certa e o resto à deriva. Era isso sim, livre, tendo no tempo, companhia e pondo na mochila uma vida que o enchia.

 

Abraço, Mago Pescador


 

17 Jan, 2019

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TNT cerebral.

 

“Life is a Sisyphean race, run ever faster toward a finish line that is merely the start of the next race”

 

“Half the ideas in this book are probably wrong.”

 

“Sex is not about reproduction, gender is not about males and females, courtship is not about persuasion, fashion is not about beauty, and love is not about affection. Below the surface of every banality and cliche there lies irony, cynicism, and profundity.”

 

“Anaxagoras’ belief that lying on the right side during sex would produce a boy was so influential that centuries later some French aristocrats had their left testicles amputated.”

 

Nos anos 30, quando foi estabelecido contacto com tribos da Nova Guiné que até então tinham permanecido isoladas do mundo exterior e ignoravam a sua existência, descobriu-se que sorriam e franziam o sobrolho sem ambiguidade como qualquer ocidental, apesar das centenas de milhares de anos de separação desde o último ancestral comum partilhado. O «sorriso» de um babuíno é uma ameaça; o sorriso de um homem é um sinal de agrado: é a sua natureza humana em todo o mundo.
Partindo do pressuposto de que existe uma natureza humana típica, e sem negar a existência de diferenças culturais e de particularidades humanas, Matt Ridley, autor de Genoma, acredita que é fácil tomar como garantida a semelhança sólida que subjaz à raça humana. A sopa de olhos de ovelha, um abanar de cabeça que significa sim, a privacidade ocidental, os rituais de circuncisão, as siestas da tarde, as religiões, as linguagens, as diferenças na frequência do sorriso entre um empregado de restaurante russo e um americano – existe uma míriade de particularidades humanas, bem como de características universais.
É impossível entender a natureza humana sem compreender como esta evoluiu, assim como é impossível perceber como evoluiu a natureza humana sem compreender como evoluiu a sexualidade humana. Tomando o sexo como tema central da nossa evolução, A Rainha de Copas é um inquérito à natureza dessa natureza humana.
A Rainha de Copas foi finalista do Prémio Rhône-Poulenc 1994 para o melhor livro de ciência.

16 Jan, 2019

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Letra do poema "Primăvara", de Vasile Alecsandri (1821 – 1890)  poeta, dramaturgo, político e diplomata romeno.

A música é viciante, sendo bem melhor do que pode parecer à primeira e, vá lá, à segunda "vista".  Rummelsnuff merece uma oportunidade!

 

"A trecut iarna geroasa,
Campul iata-l inverzit,
Randunica cea voioasa
La noi iarasi a venit.

Dintr-o creanga -n alta zboara
Sturzul galben aurit,
Salutare , primavara,
Timp frumos, bine-ai venit!

Turturelele se-ngana,
Mii de fluturi vezi zburand
Si pe harnica albina
Din flori miere adunand.

Canta cucu-n dumbravioara
Pe copacul inflorit,
Salutare, primavara,
Timp frumos, bine-ai venit!"

16 Jan, 2019

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Muitas figas, p-ssoal...

A legalização da canábis para uso recreativo vai estar em debate na quinta-feira no parlamento, na sequência da apresentação de projectos de lei do BE e do PAN. Actualmente existem nos Estados Unidos vários estados que legalizaram a canábis para fins recreativos, como o Colorado, Washington, Oregon, Alasca, Califórnia, Maine, Massachusetts e Nevada, além dos países, Canadá e Uruguai, onde também é permitido o seu auto-cultivo. O auto-cultivo, previsto nos projectos de lei portugueses, também é legal em outros países, e em circunstâncias específicas, como a Espanha ou a Jamaica, a Colômbia ou o Chile.

 

Ao contrário do tabaco e do álcool, vários têm sido os estudos que apontam à canábis propriedades anti-cancerígenas e neuro-protectoras, além das, já conhecidas, propriedades anti-depressivas e analgésicas. Ficam, em baixo, alguns dos mais recentes e relevantes estudos nesta área.

 

https://www.cancer.gov/about-cancer/treatment/cam/patient/cannabis-pdq

http://cancerpreventionresearch.aacrjournals.org/content/2/8/759.short

https://www.eurekalert.org/pub_releases/2006-05/ats-sfn051706.php

 

Neuroprotective antioxidants from marijuana:

 

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10863546

16 Jan, 2019

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"Risitas" ( Juan Joya Borja) falava com o apresentador de tv, Jesús Quintero, sobre o fim do mundo e a morte, acabando ambos num ataque de riso.


Jesús Quintero, ficou, e é conhecido, pelo seu jornalismo "lunático", pelos seus programas "alternativos" na rádio e televisão espanholas, exibidos, sempre, a altas horas da noite, para um público vagamundo. Tentava não perder nenhum deles porque, por lá, pela boca da loucura, falava-se seriamente.

 

"Quintero - Consola-te, saber, que se o mundo acabar hoje, não morres sozinho?

 

Risitas - Bem, se eu me vou..."

 

 

16 Jan, 2019

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No passado, o Homem, para viver, tinha, obrigatoriamente, de se adaptar ao meio ambiente, a algo, portanto, que não podia controlar. E então surgiram diversas Revoluções - a da Agricultura (domesticação de sementes e animais), a Industrial e a Cientifica - mas, paradoxalmente, em vez da prometida liberdade, que lhes servia de bandeira,  trouxeram-nos, apenas, mudanças de Senhor.

Tempos houve em que nos vergávamos às forças da natureza, tempos os de hoje, em que nos adaptamos à potestade maquinista.

 

Confesso acreditar, instintivamente, na impossibilidade de se encontrar um consenso mundial que evite o tal ponto de não retorno nas alterações climáticas (a famigerada subida de 6ºC na temperatura média global anual). Penso que a solução, mais plausível, tendo em consideração esta vontade humana de submeter o Real à sua vontade, será a colonização humana extraterrestre, colonização, esta, reservada aos tais 1% , detentores de 50% da riqueza mundial, aos principais responsáveis pela destruição do Planeta. A Terra, essa, ficará cadente, lugar dos sobrantes. E nas "Estrelas" erguer-se-ão cintilantes condomínios, que farão da Lua o seu campo de golfe. 

16 Jan, 2019

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"All around me are familiar faces
Worn out places, worn out faces
Bright and early for their daily races
Going nowhere, going nowhere
Their tears are filling up their glasses
No expression, no expression
Hide my head, I want to drown my sorrow
No tomorrow, no tomorrow
And I find it kinda funny, I find it kinda sad
The dreams in which I'm dying are the best I've ever had
I find it hard to tell you, I find it hard to take
When people run in circles it's a very very
Mad world, mad world
Children waiting for the day, they feel good
Happy birthday, happy birthday
Made to feel the way that every child should
Sit and listen, sit and listen
Went to school and I was very nervous
No one knew me, no one knew me
Hello teacher, tell me what's my lesson
Look right through me, look right through me
And I find it kinda funny, I find it kinda sad
The dreams in which I'm dying are the best I've ever had
I find it hard to tell you, I find it hard to take
When people run in circles it's a very very
Mad world, mad world
Enlarge your world
Mad world"
16 Jan, 2019

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Imagino que um dia as guerras se travem lá em Cima pelos mesmos motivos das de Baixo. Recursos.

Com que legitimidade se podem fazer experiências destas, a meu ver, perigosas e imorais, em corpos celestes? Quem detém, e como se legislará uma, eventual, propriedade extraterrestre? Assistiremos ao princípio de Ocupação Primeira, idêntico ao que regia a Época dos Descobrimentos, as Conquistas do Oeste norte-americano, ou do Continente Africano, em que a terra seria daquele que lá primeiro chegasse?

 

A propósito, alguém mais ouviu falar deste "cientista" chinês (outra vez a China) que "criou" o primeiro bebé geneticamente manipulado?

 

 

Muito é já o que sabemos. Mas, suponho ser, ainda, mais o que desconhecemos.

 

 

15 Jan, 2019

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Crítica da Razão Cínica, publicado por ocasião do bicentenário da Crítica da Razão Pura de Kant, é, antes de mais, uma crítica da modernidade.
Para Peter Sloterdijk, o actual cinismo resulta da perda das ilusões iluministas.
Na Antiguidade, com Diógenes, o cinismo era uma atitude individual confinada a uma corrente filosófica de reduzida expressão.
No nosso tempo, enquanto «falsa consciência», é um fenómeno generalizado que Sloterdijk detecta nos mais diversos campos, da vida privada à religião.
Como resposta a este cinismo moderno, e para que ele possa ser ultrapassado, o autor sugere a redescoberta das virtudes do antigo cinismo ou, mais exactamente, do kinismo, que passa pelo riso, a insolência e a invectiva. Este processo poderia permitir transformar o ser (Sein) em ser consciente (Bewusstsein).
Surgida na Alemanha em 1983 e considerada então por Habermas como a principal obra filosófica das últimas décadas, Crítica da Razão Cínica permite-nos também entender melhor o trajecto intelectual de Sloterdijk e as polémicas suscitadas pelos seus livros mais recentes.

 

15 Jan, 2019

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Marlon talks more about his decision to reject the Oscar for his performance in The Godfather.

Date aired - 12th June 1973 - Marlon Brando

 

Everyone was stunned when a young actress named Sacheen Littlefeather came to the stage instead of Brando. Littlefeather’s given name was Marie Louise Cruz, her ancestors were White Mountain Apache, and she was an Indian rights activist. She had agreed to decline the award on Brando’s behalf. Brando was an activist throughout his career. He protested the portrayal of Native Americans in the American film industry and argued that Natives were mostly portrayed as alcoholics, slackers, and unintelligent criminals. The incident that prompted Brando to refuse the award was the U.S. law enforcement’s violent involvement in the quashing of the protest at Wounded Knee in February 1973. The protesters were Oglala Indians and members of the American Indian Movement who objected to the U.S. government’s failure to fulfill its treaties with Native Americans.

 

Sacheen Littlefeather was supposed to read Brando’s 15-page-long speech at the ceremony; however, before the ceremony started, the producers warned her that she would be allowed to stay on stage for a maximum of 60 seconds. If she exceeded this time limit, she would risk being forcefully removed by security officers. She then read the shortened version of Brando’s statement and briefly disclosed his reasons for the refusal of the award. L.A. Times reported that, among other things, she stated the following:

 

“It’s hard enough for children to grow up in this world. When Indian children watch television, and they watch films, and when they see their race depicted as they are in films, their minds become injured in ways we can never know.”

 

 

https://www.thevintagenews.com/2017/10/04/why-marlon-brando-refused-the-academy-award-for-his-performance-in-the-godfather/