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Blogue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

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Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

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Alan Moore (Northampton, 18 de novembro de 1953) é um escritor britânico conhecido pelos seus trabalhos em banda desenhada, muitos dos quais adaptados pelo Cinema, como Watchmen, V de Vingança e Do Inferno. Frequentemente considerado como o melhor escritor de banda desenhada de toda a história, ele também já foi descrito como um dos escritores britânicos mais importantes dos últimos cinquenta anos.

 

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"A Felicidade é a mais insidiosa das prisões"

Alan Moore

 

Quando a vida, por fim, nos sorri, tendemos a minorar, inclusive a ridicularizar, as indignações dos outros, esquecendo-nos, oportunamente, que elas, um dia, também foram as nossas. 

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No tempo histórico ou, melhor, aquando da sedentarização das comunidades humanas, aproximadamente há 13.000 anos, em consequência da "invenção" da agricultura e da domesticação dos animais, era comum a derrota "militar" de uma comunidade (de agricultores), por outra (nómadas-pastoralicia), sem que, contudo, houvesse uma ocupação permanente do espaço físico daquela. A derrota tinha como único objectivo o saque.

 

Contudo, quando as "tribos" guerreiras, nómadas (pastoralicias/recolectoras), perceberam as vantagens da sedentarização (acumulação de alimento, sem a necessidade da "eterna" deambulação) passaram a ocupar, permanentemente, o território conquistado, tornando-se assim necessária a invenção de uma nova forma cultural de Dominância, que visasse quer a continuação do seu privilégio (pagamento do tributo), quer uma coabitação pacifica, entre a casta dos novos senhores, e a restante comunidade. Esta coabitação era essencial para que a economia não esmorecesse e o pagamento do tributo (mais tarde chamado imposto) se mantivesse. Em troca a "casta guerreira" atribuia-se o Dever da Defesa/Segurança do Território, legitimado no Direito, exclusivo, de só ela ter a Liberdade de exercer a Violência.

 

Esta é a origem do Estado. Ele surge associado à tomada, ilegítima, pela força, do Poder, por parte de uma comunidade de "privilegiados "/casta guerreira, que monopoliza, para sua protecção, o uso efectivo da violência. Para esta legitimação tornou-se fundamental a "persuasão", quer dos antigos lideres comunitários, por via do suborno/ameaça, e/ou de benefícios pessoais, representados pela atribuição de "lugares" na nova Estrutura de Poder, quer da maioria dos membros "comuns". Os intelectuais (seculares e religiosos) são para isso usados, através da criação de uma propaganda ideológica, que sancione a justiça (por vezes divina -  os chefes eram os ungidos por óleos sagrados; desrespeitar a Autoridade era desrespeitar o Altíssimo), e a necessidade "cientifica", daquele "Estado" de coisas (o Estado é como uma Lei Natural). Das criações propagandísticas, mais bem sucedidas, contam-se, o Bem Comum (um bem , que se alimenta da propriedade e trabalho do mais "comum" do povo e, para ele, sempre longínquo)  e o Contrato Social (contrato que nunca ninguém viu ou "assinou", e que legitima que uns "tomem conta" de todos). 

 

A forma que qualquer  Estado usa para se fortalecer é pelo enfraquecimento dos membros da comunidade que "representa", através da criação de dependências. Para este enfraquecimento pessoal contribuiu, de forma essencial, a Especialização Laboral  (sabe-se muito, de pouco, e pouco, de muito) , assim como a criação de uma nova colecção de "Impostos" (Tributos)/Deveres, limitantes da liberdade decisória individual, sobre as propostas apresentadas pelo Aparelho do Estado.

 

O Estado torna-se forte, sempre, pelo enfraquecimento do "Cidadão".

 

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