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Blogue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

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Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

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Aquando da sedentarização das comunidades humanas (15.000 AC), após a domesticação das sementes e dos animais, era comum a derrota "militar" de uma comunidade (de agricultores), por outra (nómadas), não ser acompanhada pela ocupação do território, em virtude, precisamente, do nomadismo da vencedora. A luta tinha como objectivo imediato o saque de "bens mobiliários" (ex: riquezas, alimento, mulheres, crianças, etc).
Mais tarde, quando as "tribos guerreiras" nómadas, perceberam as vantagens da sedentarização (acumulação de alimento, sem necessidade de uma "eterna" deambulação) passaram a ocupar permanentemente o território da comunidade vencida, tornando-se, "obrigatória", a criação de uma Ideologia legitimadora desse novo status quo. Esta nova ideologia de Dominância visaria, quer a continuação do privilégio, o tributo pago à minoria guerreira a expensas da colectividade derrotada, quer a criação e manutenção de uma concórdia, de forma a evitarem-se as crises, económicas e sociais, que fizessem perigar o dito privilégio. Coube, assim, aos "novos" Senhores (hoje, CEO´s), auxiliados pelos "antigos" (os políticos, de hoje, "convencidos" pela atribuição de lugares nas hierarquias de Poder), a elaboração de Novos Mitos Fundadores que dessem peso moral, religioso (mais tarde legal), ou seja, que dessem legitimidade ao roubo.
Esta é uma das origens aventadas para o Estado e para a Ideologia de Estado. Os ideólogos encarregues de convencer a comunidade dos "comuns", das virtudes desta nova Estrutura de Poder, foram os Sacerdotes (hoje designados, Economistas), excelsos criadores de mitos e ritos em nome do Altíssimo (outrora ungiam-se os reis em óleos sagrados, hoje empossam-se governos e presidentes, já não com óleos, mas através de ritos com reminiscências sagradas).
Posteriormente, com a perda de poder desses "advogados de deus", contaram-se outras estórias, inventaram-se novos ritos, com propósito semelhante. Uma das estórias mais vezes contada é aquela que nos diz que o Estado protege/favorece o Bem Comum. Contudo, se analisarmos de perto tão altruística promessa veremos derivar, esta, secundariamente, de uma outra que garante, a uns poucos, Bens verdadeiramente Incomuns.
Outro admirável novo mito foi a invenção do Contrato Social, contrato, este, que nunca ninguém viu, ou leu, mas que nos dizem, esses "homens grávidos de leis", ter sido assinado por cada um de nós. (alguém, alguma vez, nos perguntou que Estado queríamos ter?)
Olhando para a História constatamos que também a estória do Estado se repete, em circulo. Num circulo onde cabem ciclos virtuosos, mas também outros viciosos, contando-se nestes, aquele que o Estado usa para se fortalecer, através do enfraquecimento dos cidadãos que jura representar.

Concluo, dizendo, que o Poder do Estado (ou de uma Corporação/Empresa; A Corporação como um novo Estado, poderá ser motivo para um futuro postal) fortalece-se e continuará sempre a fazê-lo, pelo enfraquecimento do Poder Social, pelo empobrecimento da Sociedade.

Recordando Toqueville:

Existem algumas nações europeias cujos habitantes são indiferentes ao destino do sitio onde vivem. Qualquer grande transformação nele ocorrido, não é nunca da sua responsabilidade. Muitos nem se dão conta das mudanças. Suspeitam delas, ouvem dizer, mas não se ralam. Não ligam ao governo da sua cidade. Dizem e pensam que são coisas que não lhes cabe decidir, ou sequer nelas pensar. Dizem que cabe ao Estado, esse grande e abstracto "ser". Pensam no Estado como o seu Senhorio. Estão de tal modo divorciados dos seus interesses, que mesmo quando confrontados com alguma decisão nefasta para eles, ou diante de algum perigo, preferem cruzar os braços e esperar pelo socorro do Estado. Abdicam assim da sua Liberdade, não abdicando, ironicamente, do desprazer de serem mandados pelo Estado. Mal vêem os seus problemas resolvidos pelo Estado, rapidamente se rebelam contra os seus "abusos", ou a injustiça da sua Justiça. Quando um país chega a este estado de coisas, deve urgentemente mudar de regime, de leis, pois deixou de existir Virtude Pública. Sociedade. O Cidadão desapareceu, tendo ficado no seu lugar um "*gajo(a)".

*sujeito, no texto original.

― Alexis de Tocqueville, Democracia na América

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