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B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

B(V)logue de Alterne

Gosto de, sob o Facho, usar a Foice mas, tenho, no Martelo, o meu maior prazer.

09.01.19

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Vorph "ги́ря" Valknut

 

Hoje, por um motivo que não é para aqui chamado (vejam a tag, objectivo 2019 ), fiquei com uma sequidão daquelas. Ao encontrar uma fonte de água, ou seja uma torneira, libei sofregamente o seu translúcido néctar num estremecimento primo de prazer. Nem vinho, ou bebida tropical me deram tão singular gáudio.

 

Posteriormente, já saciado, pensei que o prazer associado à satisfação de uma necessidade depende, quer da sua intrínseca e objectiva importância (ex: casa que serve de abrigo),  mas sobretudo do significado subjectivo, a ela, atribuído (ex: moradia vs apartamento).

 

Exceptuando o prazer resultante da satisfação das necessidades objectivas e fundamentais ao corpo, o prazer sobressalente é artificial..Este deriva de uma construção artística de necessidades, criadas pela máquina publicitária. O objectivo da moderna publicidade não é a satisfação das necessidades humanas, mas sim a criação de necessidades. Sendo a imaginação infinita, infinita será a nossa necessidade de satisfação.

 

Talvez por isso goste, e sempre tenha gostado, do Campo. Só fora da cidade, descubro o que não me faz falta.

9 comentários

  • Seria feliz sendo um guardador de rebanhos. Dos meus rebanhos.
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    Sarin

    11.01.19

    Como disse anteriormente...


    Poderias ser feliz. Mas pode-se ser feliz, é-se feliz com faltas. E falavas de necessidade, não de felicidade.
  • Diminuindo as tuas necessidades, diminuis as tuas dependências. Diminuindo as tuas dependências, aumentas a tua liberdade. Só se é feliz, livre. Ouve, mas isto não é uma receita universal...depende da natureza de cada um. Tenho esta, de "bicho do mato", o que é que se há de fazer?
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    Sarin

    11.01.19

    Não questiono as causas da felicidade de cada um; e repito que se pode ser feliz tendo necessidades não satisfeitas. Destas, falava-te de luxos como mobilidade, transportes, comunicações e acesso à saúde, saneamento básico e energia, não de bens essenciais como Pêra Manca e jornais diários...

    Há dependências que nos são impostas não pelo marketing mas pelas consequências da revolução industrial - para teres água potável tens de estar numa área com saneamento básico, de comprar engarrafada, ou de obter licença de captação, efectuar análises e eventuais tratamentos; a alternativa são os medicamentos. É difícil ser eremita no campo hoje em dia :)
  • Não vou entrar em profundidade nesta questão...mas o objectivo do Estado Capitalista tem sido a criação crescente de obrigações (impostos, taxas, licenças até para pescar num maldito riacho…), de dependências, em nome da "nossa" Segurança, do Ambiente, ou de qualquer outra coisa "grande e cientifica" (leste o meu postal sobre isso, presumo), de modo a tolher-nos a liberdade, a independência. Vê como o Estado tem abandonado, descurado, as fontes de água públicas, a maioria delas, fechadas por falta de vontade "politica", ou porque outros "interesses" se levantam (o objetivo é que todos paguem, por tudo) . Ou a posse administrativa dos baldios (onde no passado pastavam animais, se recolhia a lenha, se caçava livremente, respeitando os ciclos naturais)….conheço gente sem água potável, pois têm furo, sem gás, porque optam pela lenha, gratuita, na cozinha, nas caldeiras, onde aquecem a água…(lembro-me bem dos meus banhos na aldeia). Auto-suficientes, ou quase, em termos alimentares….recusando-se a fazer parte dum sistema irreformável...o tal sistema que não se estragou, por já ter nascido doente….vejo nesses homens e mulheres um corpo, igual ao espirito. Seco, inquebrantável, duro, saudável, de olhar relâmpago e vontade granítica, em contraposição aos corpo balofos, às mentes drogadas dos modernos e sofisticados citadinos, movidos em falsas esperanças, por falácias, em nome de um futuro que lhes traga, pela velhice (contam pelos dedos das mãos os anos que faltam para a reforma), a liberdade de poderem parar para viver.

    Sarin, entrei a fundo...mas isto não é uma receita. Se a minha mulher lesse isto mandava-me à fava, mas julgo que um dia a convencerei….

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    Sarin

    13.01.19

    O que te tenho tentado demonstrar, e já o abordaste em parte, é que as opções poéticas de viver na natureza sem grandes necessidades que não o que vem da terra não passam de uma hipótese para um nicho que, por enquanto, ainda vai conseguindo sobreviver assim. Mas nem é o Estado ou o Regime o que te impede - é a globalização, a perda de soberania, a venda dos recursos, a necessidade de abrigar e alimentar oito biliões e meio de pessoas mais o resto dos animais plantas fungos protozoários e algas. Os unicelulares desenrascam-se melhor :)
  • Engraçado... Pensava que se vivia no "campo" e se sobrevivia na cidade. Parece que é costume dos sofisticados citadinos recorrerem a anti-depressivos, ansiolíticos, ou aos "chocolates", para conseguirem lidar com a realidade.

    "Nas sociedades mais “desenvolvidas” os problemas relacionados com doença mental e perturbações psiquiátricas tornaram-se as principais causas de morbilidade e incapacidade, como mostram os estudos dos últimos 15 anos. Ainda que em todo o mundo as perturbações mentais sejam responsáveis por cerca de 31% dos anos vividos com incapacidade (DALYS), na Europa os valores atingem os 40%. Acresce que as previsões apontam para um aumento das perturbações mentais nos próximos anos. (Caldas de Almeida, 2007)

    Em Portugal, o último estudo publicado aponta para uma prevalência total das perturbações mentais de 22,9% – maior taxa registada na UE – com destaque para as perturbações da ansiedade e depressivas (DGS, Carvalho, 2014)".

    Já para não falar nas doenças metabólicas. E depois, dizes, vive-se na cidade e sobrevive-se no "campo"
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    Sarin

    14.01.19

    Não o digo, não o disse e nem sequer o alvitrei. Tomado de uma qualquer loucura, lês o que queres ler e não o que se escreve. É por ser Segunda-Feira?

    Vive-se no campo e vive-se na cidade, da mesma maneira que se sobrevive em ambos os lados. Insisto: seres bucólico é um direito, mas não serve para escamotear as dificuldades que quem vive no campo tem - no acesso aos serviços básicos, por exemplo. E não é preciso ser um campo do Portugal profundo, basta este entre A8 e A1 onde tantas freguesias não têm transportes públicos, correios, multibanco, GNR, recolha diária de resíduos.
    Assim como teres vontade de viver esquecido do mundo entre os lírios do campo não faz com que os problemas ambientais te não cheguem, ou que estejas imune à fome que assola 1/3 da população que dentro de 30 anos ultrapassará os 9biliões - dos quais as migrações te trarão à porta muitos, queiras ou não.
    Repara que tens o direito de defender o modo de vida que gostarias de viver! Mas, se queres comparar dados, então sê justo e compara-os devidamente :)
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